AFOGADOS DA INGAZEIRA - MEMÓRIAS Guest Book

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Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 29-Julho-2020 / 12:21:29

Dona Ione de Góes Barros - Quando em Afogados da Ingazeira, visitávamos a professora/amiga para conversar e algumas vezes registrar em vídeo as histórias da sua vida. No dia 22 de julho de 2011, há nove anos, ela deixava um grande vazio entre os familiares e amigos.

Nasceu no dia 13 de setembro de 1924, fruto da união de João Cecílio do Rêgo Barros e Julieta de Góes Barros, na cidade de Afogados da Ingazeira, na residência dos avós maternos Petronila de Siqueira Campos do Amaral Góes e Coronel Luiz Alves de Góes e Mello. Pais cultos, a alfabetizaram nos primeiros anos de vida. Quando em Delmiro Gouveia, Alagoas, para onde a família se mudou para fixar residência, foi matriculada em Escola Pública Estadual.

Ela diz:
"A primeira e única professora primária, afora meus pais, foi Natércia Serpa de Menezes, grande professora, amiga, minha madrinha, a quem presto homenagem pelo que aprendi. Em dezembro de 1935, prestei exame de admissão no Colégio da Sagrada Família em Casa Forte, no Recife, onde fiquei interna todo o ano de 1935. Por questões financeiras, só pude prosseguir os estudos em 1940, no Colégio Sagrado Coração, em Caruaru, em regime de externato, ficando em casa de tia Maria Luíza e tio Osvaldo, cursando a 6ª série; e a 7ª série, em 1941, em regime de internato, pois meu tio, que era médico higienista, fora transferido para Vitória de Santo Antão.
Em 1942, consegui a transferência para o Curso Normal Rural do Colégio Nossa Senhora da Graça, em Vitória, pegando a reforma do Curso Normal Rural que, ao invés de quatro passou para cinco anos. Continuei em regime de externato, já que fiquei em casa dos meus tios.
Lá, em 1942, recebi a notícia do falecimento de meu pai, de angina-pectore. Entretanto, continuei os estudos. Foi um ano péssimo. Em dezembro de 1944 recebi o diploma de professora do Curso Normal Rural. No mês de janeiro de 1945, após 30 dias de Curso de Férias promovido pela Secretaria de Educação de Pernambuco, prestei concurso. Aprovada, fui nomeada para a Escola Estadual de Ibitiranga (Boa Vista), onde passei um ano lecionando. Apesar das dificuldades de transporte, gostei. Muitas vezes vinha a pé com as verdureiras para a feira do sábado aqui em Afogados da Ingazeira. Às vezes, vinha na garupa de animal com o Sr. Aurélio Pires.

Fui transferida para a Escola Isolada na cidade de Afogados da Ingazeira em 1946 - não havia grupo escolar - onde lecionei, até a inauguração do Grupo Escolar Padre Carlos Cottart, onde ensinei por vários anos. Prestei exame de suficiência em geografia em curso oferecido pelo MEC, tendo ensinado geografia e história de Pernambuco no Curso Normal.
Durante todos os anos que militei na educação era muito trabalho, estudo, cursos, pois havendo perdido meu pai muito cedo, assumi a responsabilidade de ajudar no estudo e formatura dos meus três irmãos, no que fui ajudada pelos meus tios maternos: Padre Góes, Letícia Góes e Miguel Góes (Miguelito). Foi muita luta, da qual saí vitoriosa, pois consegui formar todos. Meu único irmão é engenheiro civil e as duas irmãs são professoras.
Fiz Curso de Formação Rural na Escola Alberto Torres, e Curso de Artes Industriais, ambos no Recife. Em 1967, por indicação do senhor Bispo Diocesano D. Francisco, fui nomeada diretora do Colégio Normal Estadual de Afogados da Ingazeira, onde permaneci até o ano de 1989. Em 1990 solicitei aposentadoria da função de professora no Estado.
Colaborei na criação da Faculdade de Formação de Professores de Afogados da Ingazeira (Fapopi) e, na gestão do padre João Carlos Acioly Paz, que foi aluno do Colégio Normal na época em que fui diretora, recebi convite para a Diretoria da Parte Administrativa da Faculdade, onde fiquei durante quatro anos.

Sendo professora pelo Curso Normal Rural, houve necessidade profissional, por exigência da Secretaria de Educação, de complementar o curso frequentado, o Pedagógico, hoje Magistério, na cidade de Sertânia, pedindo transferência posteriormente, por conveniência de trabalho, para o curso pedagógico na Escola do Professor Jucá em São José do Egito, onde concluí.
As ser criada a Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde prestei vestibular, sendo aprovada no Curso de Letras, com habilitação em Inglês/Licenciatura Curta, complementando o curso de Licenciatura Plena, na cidade de Cajazeiras, na Paraíba. Prosseguindo, em atendimento às exigências profissionais, cursei Pedagogia, com habilitação em Administração Escolar, na Faculdade de Filosofia de Caruaru. Entrei na Faculdade de Direito de Souza, na Paraíba, tendo acesso por portar diploma de curso superior, onde concluí o curso de Direito, prestando exame da OAB-PB. Posteriormente recebi a carteira da OAB-PE. Vale acrescentar que sempre consegui levar professores do Colégio Normal, do qual fui diretora por 22 anos, a fazer todos os cursos dos quais perticipei.

Afora os cursos universitários, participei de vários outros de aperfeiçoamento para diretores, promovidos pela SEC-PE, nas cidades do Recife, Garanhuns, Floresta, Petrolina, todos no Estado de Pernambuco. Todos esses cursos foram de livre e espontânea vontade, pois gostava do meu trabalho de ser diretora e professora. Enfim, gostava do meu trabalho, pois sendo titulada em Direito, nunca me interessei em prestar nenhum concurso ligado à prática jurídica, mesmo sabendo que a remuneração era e é muito superior à de professora. Não me arrependo, pois a melhor compensação é fazer o trabalho que você gosta, receber o agradecimento de pais, alunos, professores, pelo trabalho prestado à sociedade. Isso, não há dinheiro que pague." (...)"

Às 13h de 22 de julho de 2011, sexta-feira, a professora Ione Góes falecia no Hospital UNIMED Recife, aos 86 anos de idade. Seu corpo chegou a Afogados da Ingazeira na manhã do sábado 23, e foi velado na Capela do Colégio Normal e o sepultamento realizado às 16h no cemitério São Judas Tadeu. Cinquenta e três dias depois ela estaria completando 87 anos.

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A seguir, dois dos vídeos que fizemos com ela.



Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 29-Julho-2020 / 9:55:50
Caro FERNANDO,
Grato pelo envio do vídeo da “live” de poeta Bráulio Bessa. Adorei a Arte dessa moçada.
Isto é que é a beleza da música e linguagem no estilo sertanejo ou "country", me trazem as lembranças, desde as minhas caminhadas não consentidas, em busca dos juás e umbuzeiros, desde o Borges, Gangorra e Riacho da Onça, eram uma aventura, e eu gostava da paisagem, mormente, nas chuvas.
Infelizmente essas paisagens desapareceram debaixo do crescimento urbano e das reformas rurais. Mesmo assim, ainda me levam aos distantes Sábados das cantorias de violeiros, repentistas dos cordéis do saudoso JOÃO MARTINS DE ATAYDE... Tudo bem ao lado da nossa Igreja Matriz... Aquelas cantigas falavam de coisas, aparentemente estranhas: - um pedaço de rapadura, um "coco" de água fria, a "quartinha" na janela... era bom demais. De tudo aquilo só falta agora, juntar: de mala e cuia, com bisaco, "bornal", cabaça e bogó, - montar no jegue e partir p'ra casa de "Mãe Filo" que sabe dar cafuné.
Infelizmente, hoje o sertanejo daqui já não pensa mais essas tradições. Os sertanejos do Sul também esqueceram a beleza e a tradição do estilo de PEDRO RAYMUNDO, cantando 'Adeus Mariana', 'Gaucho Largado' e outros... Quem não deixa cair a moda, no seu estilo, são os Centros de Tradição Gaúcha.
José Batista do Nascimento
RECIFE, PE Brasil - 28-Julho-2020 / 10:11:01

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Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 25-Julho-2020 / 20:17:28

Otoniel Barbosa de Lima, 100 anos

O "Beco de dona Maroca, de Zezé, de seu Fernando...", em um dos vários bancos que existem naquele logradouro, era o ponto de encontro de todas as manhãs de Seu Otoniel com os amigos para "jogar conversa fora", trocar ideias, e onde se faziam brincadeiras uns com os outros. No dia 17 de maio de 2013, quando ele iria completar 93 anos de idade, estando em Afogados da Ingazeira conversei com o nobre amigo e transcrevi o nosso bate-papo:

Filho de Antonio Barbosa de Lima e de Maria Queiroz do Amaral, nasceu no sítio Saco dos Queiroz, em Carnaíba, PE no dia 17 de maio de 1920.De uma família católica, logo após o seu nascimento, já com a saúde debilitada, os seus pais, com receio de que ele falecesse sem ser batizado, procuraram padres em várias vilas na redondeza e, não os encontrando, numa última tentativa foram à então vila de Custódia, quando, finalmente encontraram um sacerdote e o batismo foi realizado.

Indagado sobre as alegrias e bons momentos da sua infância e juventude, disse não se recordar, pois a sua vida foi sempre de grandes dificuldades. Os seus estudos foram realizados através de professores particulares. Recorda-se do professor Bernardino, tio ou avô de Carlinho de Lica.

Em novembro de 1947, na Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, Otoniel contraiu matrimônio com a jovem Maria Dolores de Góes Lima (sobrinha de Luiz Bitu) com quem teve dois filhos que sobreviveram por apenas alguns dias. Esse casamento teve um lance interessante: Onde se encontrava a sua certidão de batismo? Procuraram em várias localidades, inclusive em Custódia, sem êxito. Tendo em vista que na época Custódia era uma Vila, somente conseguiram localizá-la na Paroquia de Sertânia.

Após esse casamento, em vista das dificuldades enfrentadas no dia a dia, chamou a esposa para irem residir na zona rural, no sítio Saco dos Queiroz, mas ela se negou dizendo que não iria, pois sempre havia morado na cidade. Passado algum tempo e, tendo em vista que continuava desempregado, resolveu, em 1950, seguir viagem em “pau de arara” para São Paulo, mas, em virtude da dificuldade desse transporte chegar à capital paulista, resolveu se dirigir para o Rio de Janeiro.
Inicialmente para Teresópolis, para trabalhar em uma Granja, mas as condições oferecidas eram subumanas e ele, no dia seguinte saiu em direção ao Rio de Janeiro, Capital do então estado da Guanabara. Lá encontrou um casal que lhe deu apoio moral, no entanto o que ele mais necessitava, no momento, era um canto para repousar e se alimentar, pois estava exausto e com muita fome.
Em um prédio, ao acaso, Otoniel contatou o porteiro que, mesmo receoso por se tratar de um estranho, lhe acolheu no porão do edifício, sem a autorização do proprietário. Nesse ínterim, um empresário que passava nesse prédio, na busca de um material naquele mesmo porão, encontrando-o dormindo sob papelões, perguntou se ele gostaria de trabalhar na construção civil, no que aceitou imediatamente a proposta.
Era carnaval na Cidade Maravilhosa e esse empresário o levou para um alojamento onde ele ficou cinco dias – com direito a alimentação e teto – até que os festejos passassem. Otoniel, com então 30 anos de idade, permaneceu uns oito anos trabalhando nos empreendimentos desse engenheiro. Já com um ano no emprego veio buscar a esposa e, passados 7 anos, ela saudosa pediu para que voltassem para Afogados da Ingazeira, pois há tanto tempo não via a sua mãe.
A contragosto Otoniel juntou seus pertences e retornou, trazendo algum dinheiro e, em Afogados investiu o que conseguiu economizar, fruto do seu trabalho, em outro imóvel na cidade, onde já possuía uma casa. Tempos depois, conseguiu um emprego Estadual na área da saúde, trabalhando como enfermeiro do Posto de Saúde local, indo, depois da inauguração do Hospital e Maternidade Emília Câmara, para aquele centro de saúde.

De outro relacionamento, com a jovem Maria do Carmo Ramos, teve uma filha – Fernanda – que lhe fez companhia desde que ficou viúvo.

No dia a dia, mesmo nonagenário, fazia sua caminhada e dava uma paradinha na travessa Major Antonio César (beco de dona Maroca, beco de seu Fernando ou beco do Zezé) para um bate-papo com os amigos até a hora do almoço, quando então fazia o caminho de volta à casa.

Neste sábado 25, nas primeiras horas do dia, aos 100 anos de idade, faleceu no Hospital Regional Emília Câmara, deixando um vazio nos seus familiares e nos muitos amigos que o prezavam.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 25-Julho-2020 / 17:29:21
Em busca da história da minha origem - Minha mãe, Maria de Lima Alves (Moça), nascida em 1926, casou-se em 1949 com José Santana Alves. Moravam no sítio Minador, mas, em 1958 foram para São Paulo.
Hoje ela está com 94 anos, mas nunca se esqueceu da sua terra natal.
Eu sou a filha mais nova e resido no Recife. Nunca fui a Afogados da Ingazeira, mas tenho um grande amor por essa terra tão querida.
Dona Moça deixou parentes aí; o nome de um tio dela se chamava José Trajano, já falecido; Um irmão dela Antônio Lopes de Lima (Totó), já falecido, viveu muitos anos na rua Cazuzinha Lopes.
Se alguém souber de alguma história sobre eles, ficarei agradecida.

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Rosa, mostre à sua mãe alguns dos vídeos que retratam Afogados da Ingazeira desde o início do séc. passado. Certamente ela ficará feliz em rever imagens antigas, do seu tempo. (Fernando Pires)

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Rosa Alves <rosasantanacnc@gmail.com>
Recife, PE Brasil - 25-Julho-2020 / 11:50:31

Logo cedo recebi mensagem do amigo Francisco das Chagas informando o falecimento da sua esposa Maria Zélia, ocorrido nas primeiras horas desta sexta (24/07) no Hospital Regional Emília Câmara.
Ela contava 64 anos e deixa esposo e a filha Charla.
Aos familiares, nossa sincera solidariedade.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 24-Julho-2020 / 9:17:09

Fernando, amei a sua página, excelente ponto de encontro, estarei sempre aqui.

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Leia, Cícero Damascena era pai de tia Idalina, esposa de tio Severino Pires (Fernando Pires).

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Leia Rodrigues de Lima Oliveira
São Bernardo do Campo, SP Brasil - 22-Julho-2020 / 23:58:31

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 20-Julho-2020 / 12:51:18

Faleceu na manhã deste domingo, 19, no Hospital Regional Emília Câmara, em Afogados da Ingazeira, a senhora Mary Djayna Lira de Freitas Albuquerque, aos 42 anos de idade.
Charles, filhas e familiares, recebam nossa sincera solidariedade.
Que o Pai Eterno a acolha em Sua glória.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 19-Julho-2020 / 10:14:08

CEM DIAS ENTRE QUATRO PAREDES
Edleide Freitas Pires (*)

Vinte e seis de junho de 2020. Cem dias concentrados na missão de se proteger do poderoso vírus causador da Pandemia da Covid-19. Uma situação sem precedentes para a geração 2019-2020 que gerou profundas mudanças nas vidas, hábitos e comportamentos dos brasileiros. Fazendo analogia ao famoso livro de Amyr Klink, “Cem dias entre céu e mar”, lançado em set/1985 pela JO Editora, percebo semelhanças e diferenças. O aventureiro, diante de uma situação por ele estabelecida, relatou a grande necessidade de adaptações quando isolado num barco a remo para travessia do Atlântico. O autor da obra destaca sua experiência com alimentação, com problemas ambientais e, naturalmente, com a autoconfiança em cumprir o seu propósito. Igualmente, numa situação não intencional, percebemos as necessidades de adaptações a tudo que antes era hábito, cultura e estilo de vida. Como para o navegador, a disciplina passou a ser o quesito de maior importância para a sobrevivência e para o controle da virose.

André Trigueiro, em seu livro “ A força do um”, publicado em 2020, pouco antes do reconhecimento da pandemia do novo coronavírus, uma espécie de premonição, ressalta e nos desperta para o entendimento de que a solução de tudo está no “UM”. Quando cada indivíduo se reconhece capaz de resolver seus problemas pode entender as suas necessidades e, dentre elas, a de proteção contra uma doença infectocontagiosa. Protegido é possível ajudar o outro. No caso da avassaladora virose da SRAS-CoV quando cada um se protege, protege também o outro.
Com o confinamento, cada um passou a ser capaz de descobrir a força intrínseca. Para a prevenção e controle da pandemia, muitos ficaram fisicamente isolados e muitas experiências e adaptações também viveram. Para uns, as recomendações dos órgãos de saúde foram mais traumatizantes. Como aceitar ficar isolado, com os amigos e parentes tão perto? Tem-se a impressão de que as crianças entenderam as recomendações melhor que os adultos, embora reclamassem a ausência dos amigos, dos colegas e da escola. Com vantagens, desfrutaram de maior convivência com os pais que, com o tempo quase todo dedicado às atividades profissionais, rotineiramente, delegavam os cuidados dos filhos aos cuidadores e professores.
Pensadores já externaram que “é na crise que nascem as invenções...” (Albert Einstein). Foi também nas oportunidades que talentos adormecidos afloraram nos tempos confinados, de modo que pessoas se descobriram capazes de desenvolver atividades antes delegadas a especialistas e encontraram meios e métodos para realizar suas atividades onde antes só entendiam ser possível em escritórios com boas instalações. A tranquilidade do isolamento ajudou nas adaptações, e surpreendentemente, muitos provaram seu poder para vencer as adversidades e até conseguiram tirar proveito de novas demandas.

A oportunidade de ficar isolado só funcionou para aqueles com condições, considerando as grandes diferenças observadas nas quatro paredes de cada um. A impossibilidade de praticar o recomendado isolamento, evidentemente, contribuiu para a propagação e persistência do vírus, que não escolhe grupo social.
Em ocasião semelhante, na gripe denominada “espanhola” que aconteceu em 1918, as dificuldades, certamente, foram maiores. O número de cientistas estudando as causas e comportamentos das viroses era bem menor e o desenvolvimento tecnológico não era suficiente para disponibilizar as ferramentas necessárias às conclusões das hipóteses por eles construídas. Por outro lado, com população menos numerosa e com evidentes limitações dos meios de comunicação e transporte, os brasileiros moradores de pequenas cidades, longe dos grandes centros, não perceberam a real gravidade da gripe. Em razão do desconhecimento, não tiveram os mais velhos, condições de relatar os fatos ocorridos aos seus descendentes ou de transmitir as experiências vividas.

Na COVID-19, considerada pandemia em 2020, contamos com a tecnologia em favor dos tempos. As facilidades na comunicação ajudaram na captura de dados estatísticos, nos diagnósticos e na divulgação de protocolos de prevenção. Entretanto, a disponibilidade de meios para mobilidade das pessoas e de objetos também contribuiu para a transformação do que poderia ser uma endemia, em uma pandemia. Constatou-se que o vírus se espalhou no mundo por meio de pessoas e também de mercadorias nas avançadas e facilitadas importações.
Os estudiosos das doenças psíquicas perceberam que: os pacientes submetidos ao rigoroso isolamento, sofreram maiores danos que a população em geral, nas mesmas condições. Para muitos, a perda de amigos e parentes por mortes inesperadas foi uma experiência traumática, sobretudo pela impossibilidade de acompanhar e conviver com os entes queridos enquanto acometidos pela doença.
Tais observações e introspecções impulsionaram a necessidade de registrar os fatos, na tentativa de contribuir para a história e, consequentemente, para a valorização do sofrimento vivido pelo povo brasileiro em 2020.

(*) Pernambucana de Afogados da Ingazeira, nutricionista, mestra e doutora em nutrição, professora da UFPE e da UFRPE.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 17-Julho-2020 / 16:13:02
Sobre a "bólide" vista em Pernambuco ontem (15.07.2020) - Leia um fragmento do nosso livro "Afogados da Ingazeira - Memórias" (Edições Edificantes - 2004), pág. 42, obedecendo a grafia da época:

"No anno de 1920 - A sete de janeiro, cahiu ao nascente de Afogados da Ingazeira um "bólido" cuja passagem pela atmosphera produziu um estrondo. Eram 10 horas de noite (...). Somente a 29 de fevereiro cahiu chuva."

Coincidentemente, o registro que mencionamos no nosso livro ocorreu há 100 anos. (fonte: Livro de Tombo da paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios)

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bólide
Substantivo feminino
Astr.
Meteorito de volume acima do comum que, ao penetrar na atmosfera terrestre, produz ruído e se torna muito brilhante, podendo deixar um rastro luminoso.(Dic. Aurélio)

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 16-Julho-2020 / 10:23:11

Há 77 anos- 09.07.1943 - nascia
Bernardo Delvanir Ferreira


Bernardo, um dos quatro filhos de Otávio Ferreira da Silva e Laura Ferreira da Silva, nasceu no então distrito de Tabira (Afogados da Ingazeira) em 9 de julho de 1943. Menino tímido e amoroso, não escondia o carinho devotado aos pais e irmãos.
Ainda pequeno veio com a família morar em Afogados da Ingazeira, cidade maior e mais promissora, onde poderia ser mais favorável para o Sr. Otávio Ferreira abrir seu consultório dentário, já que era um prático a desfrutar de muito conceito na região.
Em 1953, com apenas 10 anos de idade, Bernardo tocava violão e sanfona, arte que aprimorou com o passar do tempo, tornando-se um grande músico. Esse fato não deveria ser motivo de muita admiração, posto ele fazia parte de uma família de artistas: sua irmã mais velha, Maria de Lourdes Ferreira (Lourdinha), tocava sanfona; Flávia Ferreira, a mais nova, sanfona e violão, e seu único irmão, Geraldo Berardinelli, revelou-se, cedo, um grande artista plástico.
Numa das vezes em que o cantor Luiz Gonzaga, o Rei do Baião se apresentou em Afogados da Ingazeira, hospedou-se no Grande Hotel, em frente à casa de Bernardo. E ele foi convidado para fazer uma exibição para o cantor que ficou admirado com o talento do jovem interiorano: “Esse menino vai fazer muito sucesso. Se o pai dele deixar, ele vai comigo para o Rio.” Bernardo não foi. Além de ser muito jovem, não estava em seus planos deixar a família. Na verdade, ele gostava de tocar em casa, sempre acompanhado por uma das irmãs (nas festas da escola, apresentava-se com todos os irmãos, cada um tocando um instrumento e Geraldo cantando). Gostava, também, de animar as festas de aniversário na casa de amigos.
Depois passou a abrilhantar as Manhãs de Sol no tradicional ACAI (Aeroclube de Afogados da Ingazeira), fazendo muito sucesso.
Quando o radialista Waldecy Xavier de Menezes movimentou a região com seus programas radiofônicos de auditório (“Festa na Roça” e “Domingo Alegre”), o conjunto regional responsável pela parte musical, inclusive pelo acompanhamento dos artistas, tinha Bernardo Ferreira na sanfona, Gago na bateria, Zé Malaia nos maracás, Flávia Ferreira no violão, Expedito boca-de-véio no pandeiro, Zé Martins e Charles Pantera (Lulu Pantera) no vocal.
Uma das grandes alegrias de Bernardo foi no dia da sua contratação para fazer parte da Super Oara, orquestra do Mestre Beto, de Arcoverde (PE), que fazia muito sucesso por onde se apresentava. Depois de alguns anos se exibindo com a orquestra nos palcos da vida, Bernardo voltou para junto da família. Prosseguiu, então, abrilhantando as Manhãs de Sol no ACAI e os programas de auditórios comandados por Waldecy Xavier de Menezes.
Bastante habilidoso, tocava violão e sanfona muito bem e jogava futebol e sinuca de forma impressionante. Era admirado e querido. Apesar de ser visto como um rapaz especial, ele não foi muito namorador, mesmo sendo bastante assediado. A timidez fazia dele um moço reservado, de muitos amigos e que gostava bastante de sorrir.
Bernardo também foi ótimo compositor, tendo, inclusive, gravado duas belíssimas musicas de sua autoria: “Fingimento” e “Separação”, na voz do cantor Miro Gonçalves, através da Gravadora Rozemblit.
Um dos seus fiéis amigos, José Martins de Moraes, cantor do seu regional, gostava de se exibir com essas músicas, nas inúmeras serenatas que fez com Bernardo pelas ruas românticas de Afogados da Ingazeira, nas noites enluaradas.
Um dos sonhos de Bernardo Ferreira era, no futuro, formar sua própria orquestra. Tinha capacidade de sobra para tanto. Contava, inclusive, com alguns músicos de talento incomparável. Entretanto, por uma fatalidade do destino, não pôde concretizar seu sonho.
Ainda jovem, com 18 anos de idade, um problema cardíaco obrigou-o a manter um regime de vida mais moderado, deixando-o muito triste, mas não perdeu o brilho do sorriso.
Na terça-feira de carnaval, dia 22 de fevereiro de 1966, Bernardo Delvanir, aos 22 anos de idade, teve um infarto fulminante.
Naquele dia não só seus familiares e ardorosos amigos, mas a cidade em peso chorou a perda irreparável. Seu sepultamento contou com a presença de milhares de pessoas, todos chorando em silêncio a saudade antecipada. (por Milton Oliveira, com enxertos nossos)

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 13-Julho-2020 / 11:18:07

Meus pais nasceram em Afogados da Ingazeira.
Ele, José Santana Alves, filho de Manoel Santana e de Joventina.
Ela, Maria de Lima Alves (conhecida como Moça), mora em São Paulo e está com 94 anos (1926). Filha de Belarmino Ferreira de Lima e Joaquina Barboza de Lima (mãe Miquina).
Um de seus irmãos, Antônio Lopes de Lima (Totó), já falecido, viveu por muitos anos em sua casa na rua Cazuzinha Lopes.

Por favor, se alguém souber de algo sobre nossos familiares, contate-nos. Ficaremos agradecidos.

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Rosa Alves Santana <rosasantanacnc@gmail.com>
São Paulo, SP Brasil - 11-Julho-2020 / 8:11:48

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 9-Julho-2020 / 21:08:52
Hein, Ubaldo Pires!

Na semana passada o primo Fernando Pires descobriu o documento de cartório do casamento de Pai Véi e Bobô que você sabe eram Raymundo Ferreira Lima e Josepha Leopoldina Pires, e a oficialização do citado enlace deu-se na casa de Antônio de Souza Pereira, ali pelo "quadro da rua do Afogados" como se dizia antigamente, e Antônio era irmão do velho pároco Pedro Pereira de Souza cujos sobrenomes eram assim trocados o que era natural à época, e Antônio como você bem sabe era casado com Maria Leopoldina Pires Ferreira ou Freitas, pois acho que as oito irmãs de Pai Quim eram registradas Pires de Freitas enquanto os quatro homens mantinham o original do pai Pires Ferreira.
Mas isso é uma história antiga que vem dos tempos quentes da revolução de Frei Caneca de 1824, quando os irmãos revolucionários de 1817 Joaquim e Gervásio, pois João de Deus falecera em 1821, sendo todos dos Pires Ferreira do velho Recife, resolveram pedir a ajuda de um irmão ainda mais velho, José Pires Ferreira, que se radicara pra sempre entre o Piauí e o Maranhão aonde fora tomar conta das terras que o velho pai Domingos Pires Ferreira houvera adquirido naqueles lados e a ajuda que José deu à Revolução foi o envio de homens para usar bem os bacamartes, mas o que se viu foi que não houve tempo e a Revolução foi vitoriosa somente em apontar os rumos humanistas que ainda hoje buscamos para futuro e foi justamente esse grupo que se engraçou das águas do Pajeú, onde estariam a salvo como até hoje da cruel devassa contra os revolucionários.
E voltando a Pai Véi e Bobô, acho que eles já moravam na "Maravilha" e quando do registro na casa de Antônio, o casal, ele com 24 e ela com 22 anos, já declarava ter um filho de nome Horácio sendo essa imagem dos teus arquivos que resolvi mostrar aos amigos, dos tempos em que Horácio, como dizia nosso primo e amigo Marconi, tinha tanto gado e as terras eram tão férteis em Jacobina, e o capim tão alto que o gado de perdia dentro, e dos tempos em que o irmão caçula dos sete de Bobô e Pai Véi de nome Jonas, e apelido Jota, que também aparece na foto da família de Horácio, era dono de uma pequena frota de pequenos aviões que transportavam passageiros nos aforas da Bahia, e Ubaldo Pires descreve a imagem abaixo dizendo que na ordem dos ponteiros do relógio se vê Zuleide e José, e Dona Duca com Sirlene no colo, e Antonio e Horácio e Jota e Amadeu, e também lembra que entre os filhos e filhas de Pai Véi e Bobô, entre o mais velho Horácio e o mais jovem Jota, havia mais cinco filhos e filhas que eram Aurélio e Severino e Zequinha, mais Dasdores e Lídia, mais ou menos nessa ordem.
(Aviso aos amigos que a pandemia me fez economizar a pontuação, e resolvi dar uma de Saramago, mas não ficou tão ruim assim)

Hercules Sidnei Pires Liberal <sliberal@uol.com.br>
Recife, PE Brasil - 1-Julho-2020 / 13:53:41

Quando do Centenário (1909-2009) de Emancipação Política de Afogados da Ingazeira, fizemos esse registro a partir das 5h do 1º de julho de 2009.

Afogadenses que não mais residem em sua terra natal foram participar daquele momento.
Hoje, muitos dos que lá se encontravam, já partiram...



Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 1-Julho-2020 / 9:56:28

Ibraim e Nevinha, recebam a nossa sincera solidariedade pela perda prematura da querida Katiúscia Shiarelly (foto).
Nossos sentimentos extensivos ao viúvo, filhinho, irmão e aos demais familiares.
Que o Pai Eterno a tenha em Sua Glória!

Fernando Pires e família <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 29-Junho-2020 / 16:56:03
Há 92 anos, em 21 de junho de 1928, nascia na localidade Espírito Santo (Tabira), então Distrito de Afogados da Ingazeira, Hélio Vidal Campos. Filho de Luiz Gonzaga de Siqueira Campos, antigo escrivão, e Olindina Vidal Campos. Eram seus avós paternos o professor José da Vera Cruz Campos e Joaquina da Vera Cruz Amaral, e maternos, Juvino Alves de Siqueira Vidal e Maria Umbelina Vidal.
Casado com Lucy de Andrade Campos, teve dois filhos: Hélio Fernando e Maria de Fátima, Hélio Vidal
Viveu toda infância e juventude em Afogados da Ingazeira onde cursou o primário com os professores Mariinha Padilha, Otávio Claudino de Paiva, Dolores Câmara, Assunção Câmara; as irmãs Maria do Carmo Galindo e Maria Luíza Galindo; Aurora Lopes de Azevedo, Evangelina de Siqueira Lima, Letícia de Campos Góes, de saudosas memórias.
Trabalhou incansavelmente pela criação do Ginásio Mons. Pinto de Campos, em Afogados da Ingazeira através da CNEG (Campanha Nacional de Educandários Gratuitos). Na juventude fez parte ativa em todos os movimentos sociais e culturais, fazendo discursos a convite das diversas entidades e ao mesmo tempo sendo correspondente dos jornais Diário de Pernambuco e Jornal do Commercio, para onde enviava quase semanalmente notícias de nossa cidade.
Atuou com Elpídio Medeiros e Magela Valadares, na Rádio Difusora Pajeú, onde apresentavam programas que marcaram época.
Em Afogados, foi escrevente de cartório e tabelião substituto, o que influiu bastante para sua vida judicante (muita prática forense).
Devido ao dinamismo e força de vontade de sua genitora Olindina Vidal, foi estudar no Recife nos idos de 1945, no Colégio Americano Batista, onde fez o curso ginasial, terminando em 1950 como orador da sua turma. Cursou o colegial no Carneiro Leão para, em seguida, após o vestibular, cursar os cinco anos de Direito na Faculdade da Praça Adolpho Cirne. Ainda no terceiro ano de Direito, fez o vestibular na Faculdade de Filosofia Manuel da Nóbrega, atual Universidade Católica, onde cursou Filosofia com ênfase em Geografia e História, por quatro anos, tendo se bacharelado.
Como ginasiano colaborava na imprensa da capital pernambucana, escrevendo para o Jornal Pequeno, Diário de Pernambuco e Jornal do Commercio, época em que ingressou na Associação de Imprensa de Pernambuco, como sócio efetivo.
Mesmo residindo no Recife, o jovem Hélio Vidal viajava de trem duas vezes no mês, para Afogados, nos trabalhos de instalação do Ginásio Monsenhor Pinto de Campos, e posteriormente com a Gazeta do Pajeú, que fundou no dia 15 de novembro de 1953, há 67 anos.
Trabalhou no Recife como comerciário, bancário (Caixa Econômica), escriturário da firma Itapessoca (do empresário João Santos), funcionário público (Assembleia Legislativa do Estado) e, finalmente, juiz de Direito, quando se aposentou.
Participou por dois anos do curso de Especialização em Direito Público e Privado (Pós Graduação lato sensu) da Universidade Federal de Pernambuco, nos anos de 2000 e 2001. Como professor, ensinou no Curso Brasil, Ginásio Castro Alves, Ginásio Olívio Montenegro e Escola de Comércio da Encruzilhada, do saudoso professor Aderbal Galvão. Exerceu a judicatura nas Comarcas de Serra Talhada, Lagoa dos Gatos, Belém de Maria, Araripina, Panelas, Goiana, Olinda e no Recife. Pelo Presidente do Tribunal de Justiça, foi designado para ser o primeiro Juiz de Direito do Distrito Judiciário da Ilha de Fernando de Noronha, por quatro anos. Ainda como Juiz de Direito, substituiu em várias oportunidades desembargadores em licença e férias, por quatro anos.
Recebeu o título de cidadão de Goiana e Olinda, quando passou por aquelas comarcas. Ensinou Direito Penal e Processo Penal na Faculdade de Direito de Olinda e Faculdade de Direito Pinto Ferreira, na capital pernambucana. Exerceu as funções de Juiz Eleitoral por mais de oito anos, na 7ª zona da capital e, na condição de juiz mais antigo, presidiu a diplomação dos eleitos no pleito municipal de três de outubro de 1996, no Teatro Guararapes do Centro de Convenções de Pernambuco.
Faleceu no Recife, no 1º de outubro de 2006, onde está sepultado.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 23-Junho-2020 / 9:32:21

Faleceu nesta madrugada, no hospital Mestre Vitalino, Caruaru, aos 54 anos de idade, o amigo Emídio Vasconcelos.
No final de maio, sentindo-se mal, foi levado ao hospital Regional Emília Câmara de Afogados da Ingazeira. Diante da gravidade do caso, foi removido para o hospital em Caruaru, quando, nesta segunda-feira pela madrugada, veio a óbito.
Fomos informados que o corpo foi sepultado, ainda nesta manhã, no cemitério São Judas Tadeu,

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 22-Junho-2020 / 13:55:46

As moças do sobrado

Hoje, ofuscado pelo desarranjo e emaranhado arquitetônico, se é que se pode chamar assim da praça principal da cidade de Tabira, a antiga Espírito Santo, o sobrado já reinou imponente e soberano sob os olhares atentos de Dona Maria Vidal, a viúva de Jovino Vidal, seu marido e primo; ele falecido em 1934, e ela eu a conheci já morando em Arcoverde perto da sua neta Dulcinha, sendo que os filhos nasceram todos em Afogados da Ingazeira onde moravam no casarão que construíram e que findou como sede da Cúria Diocesana, e onde o primeiro filho de quinze do casal Antonio Alves de Freitas Sobrinho, o sobrinho de Benzinho Vidal, foi prefeito municipal aí pela década de 1920, mas é outra história.
A história que quero contar é a dessas moças que fazem parte da vida passada de Tabira, a antiga Espírito Santo, como Sindô, que era como chamavam Ornecinda Vidal, a filha mais nova do casal Jovino e Maria, foi chamada pela irmã mais velha Theonila, conhecida por Teonas, já casada com um comerciante de peles de São José do Egito de nome Cícero David de Vasconcelos, que ficou viúva com sete filhos em 1950, já morando em Campina Grande, onde com a idade de 40 anos Sindô também conheceu o comerciante de nome Antonio, e conhecido por Seu Nô, com quem se casou mas não tiveram filhos, e anos depois ela foi morar no Recife onde já morava sua irmã Teonas.
As duas tinham uma irmã mais velha de nome Mariinha batizada Maria que morava em São Francisco, um distrito de Solidão, que era parede e meia com a paraibana Água Branca, e era casada com Francisco Souza conhecido por Chiquito que viu Mariinha morrer do segundo parto junto com a criança, e por isso a filha do primeiro parto que era Dulce, foi criada no sobrado por Dona Maria sua avó e mais tarde Dulcinha casou com seu parente Milton de Brito Freire que era irmão de Vitorino Freire que foi dono político do Maranhão antes que também o fosse José Sarney mas a história daqui pra frente é sobre essas outras moças restantes da foto e já falamos de Sindô e Dulcinha da ordem da fila indiana.
Onde se vê na sequência, Soberana, que era a irmã mais velha de Glorinha, que bem me lembro era filha de Dona Chiquita e ativa militante do velho PSD de Agamenon Magalhães, e seguindo a fila está Erotidinha que já a conheci casada com Severino Fiscal (Severino Vicente?) que eram pai e mãe de Bibi, Tasso e Ilka e não lembro de outro filho ou filha, mas Bibi é Ubirajara que é meu amigo de infância e de Facebook e, seguindo, logo aparece Aretusa Pires de Freitas que era filha do meu tio Severino Pires e minha tia Lídia dos Freitas do Cariri, como dizia Adamastor nosso primo Tôta, para uns, e Totô para outros, e ela se casou anos depois com Isaac Mascena uma grande figura das prosas tabirenses.
Mas quero também falar de Mirôcha, que, na rabeira da fila, mostra-se como realmente era, ou seja, uma moça elegante da família Vidal que, quando a conheci morava com sua sobrinha Severina a esposa do protético José Tenório, tendo falecida solteira; mas quero também falar dessas menininhas de vestidinho escuro que, como informa Loura das famílias Pires e Vidal, tratavam-se das filhas de alguém de fora de Espírito Santo que trabalhava em algum órgão de governo, mas a menininha de vestido mais claro era Isabel Mascena que anos adiante casou com Júlio Cordeiro Pessoa, sendo mãe e pai dos meus amigos de infância Carlos Celso e Claudio Cleto, além de Margarida Maria e Claudevan Ciro e Claudionor Cícero.

Hercules Sidnei Pires Liberal <sliberal@uol.com.br>
Recife, PE Brasil - 22-Junho-2020 / 9:07:52

Imagina por um momento que você teria nascido em 1900.
Quando você tem 14 anos começa a Primeira Guerra Mundial e termina quando você tem 18 com um saldo de 22 milhões de mortos.
Logo depois aparece uma pandemia mundial, a gripe espanhola, matando 50 milhões de pessoas. E você está vivo e com 20 anos.
Quando você tem 29 anos sobrevive à crise econômica mundial que começou com o desmoronamento da Bolsa de Nova York, causando inflação, desemprego e fome.
Quando você tem 33 anos, os Nazis chegam ao poder.
Quando você tem 39 anos começa a Segunda Guerra Mundial e termina quando você tem 45 anos com um saldo de 60 milhões de mortos. No Holocausto morrem 6 milhões de judeus.
Quando você tem 52 anos começa a guerra da Coreia.
Quando você tem 64 anos começa a guerra do Vietnã e termina quando tem 75 anos.

Uma criança que nasce em 1985 pensa que os seus avós não fazem ideia do quão difícil a vida é, mas eles sobreviveram a várias guerras e catástrofes.
Hoje encontramo-nos com todas as comodidades num mundo novo, no meio de uma nova pandemia.
A gente reclama porque por várias semanas devem ficar confinados em suas casas, tem eletricidade, celular, comida, alguns até com água quente e um telhado seguro sobre suas cabeças. Nada disso existia em outros tempos.
Mas a humanidade sobreviveu a essas circunstâncias e nunca perderam a alegria de viver.

Hoje queixamo-nos porque temos que usar máscaras para entrar nos supermercados.
Uma pequena mudança na nossa perspectiva pode gerar milagres. Vamos agradecer você e eu que estamos vivos e vamos fazer tudo o que é necessário para nos proteger e nos ajudar uns aos outros.

(*) Autor desconhecido | Imagem da internet

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 21-Junho-2020 / 19:11:21
Soubemos há pouco, nesta quinta-feira (18.06), do falecimento de José Silvério Queiróz Brito, (Verinho), ex-prefeito de Afogados da Ingazeira, ocorrido no Hospital Regional.
À dona Creuza, sua mãe, Bombinha, seu irmão, filhos e aos demais familiares, nossa sincera solidariedade.

Vamos relembrar alguns momentos políticos protagonizados por ele - pinçados do nosso próximo livro.

"8 de junho de 1972 - Lançado oficialmente o nome do universitário José Silvério Queiróz Brito, de 26 anos, para a sucessão do Sr. João Alves Filho, no pleito que se avizinha. O jovem candidato é quartanista de Direito da Universidade Federal de Pernambuco e detentor de simpatia na comunidade afogadense. A escolha, para a sucessão municipal, foi feita pelo Diretório da Arena, que tem 21 componentes. Dezenove deles, entre os quais o prefeito João Alves, lançaram o nome de Silvério para candidato a prefeito de Afogados da Ingazeira. "

"01.01.1973 / 31.12.1976 - Administrou sua cidade nesse quadriênio;"

"2 de agosto de 1974 - Técnico faz inspeção na Barragem de Brotas - Acompanhados pelo prefeito de Afogados da Ingazeira, José Silvério, os técnicos percorreram toda a extensão da barragem – 569 metros –, identificando os marcos do projeto e estabelecendo a melhor área para o canteiro de obras."

"13 de agosto de 1976 – O prefeito José Silvério Queiroz de Brito confirmou seu apoio à candidatura do Sr. José Geraldo de Moura, nome homologado na convenção da Arena, realizada no último domingo. A convenção apontou ainda os candidatos João Alves Filho (Arena 2) e Antônio Mariano de Brito (Arena 3).

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 18-Junho-2020 / 18:29:46

Profª. Letícia de Campos Góes

Em 09 de junho de 1903, há 117 anos, nascia em Afogados da Ingazeira - sítio Sobreira -, a menina Letícia, filha do Cel. Luiz Alves de Góes e Mello e de dona Petronila de Siqueira Campos do Amaral Góes. Fez o curso primário em sua terra natal, em escola pública, com professoras vindas do Recife. Costumava dizer que a professora que mais marcou a sua vida de criança foi Dona Anna Melo. Seus estudos de português e francês foram orientados com o seu irmão Dr. Oscar de Campos Góes, de quem tinha muito orgulho. A paixão pela língua francesa era evidente. Isso se atribuía à cultura dos seus pais que conheciam profundamente a literatura francesa, e ao seu irmão poliglota e cientista.

Dona Letícia nos disse, certa vez, que o Dr. Oscar se correspondia com Albert Einstein, físico e humanista alemão (1879-1955), autor da teoria da relatividade e de importantes estudos em ondulatória.

Desde os 16 anos, ela já dava aulas particulares e declamava poesias como se fossem suas, pois fazia com toda a alma e coração como que vivendo aquela ternura, suavidade e beleza decantada pelos poetas, em particular o grande Castro Alves, poeta dos seus tempos, dos seus saraus, das suas festas familiares. Lia, todos os dias, no mínimo 5 horas, as crônicas de Humberto Campos, Gilberto Amado, Afonso Arinos de Melo Franco, René Belbenoit, além da História Sagrada - a Bíblia.

Ingressou no Colégio das Damas de Instrução Cristã, no Recife, para concluir os seus estudos de 2º grau, de 1933 a 1934, o que o fez brilhantemente. Decidiu ser religiosa das Damas, entrando como noviça, destacando-se pela obediência, cumprimento das obrigações religiosas. Ensinou o francês a diversas turmas no Colégio das Damas da Ponte d’Uchoa. Por motivo de saúde, abandonou o hábito, o que fez contra a sua vontade e por imposição da família para poder se submeter a tratamento rigoroso, o que não era possível no convento. Graças à dedicação do seu cunhado, o Dr. Osvaldo da Cruz Gouveia, e os cuidados da sua irmã Maria Luíza, que residiam em Garanhuns, ficou completamente curada.
Não retornou ao convento, pois seu pai, já muito doente do coração, solicitou sua presença decidida, alegre e inteligente ao seu lado, em Afogados da Ingazeira.
Um ano após o seu retorno, morria seu genitor. Ela continuou com a mãe, na cidade, se dedicando à educação da juventude por mais de 30 anos, sendo professora municipal. Foi um grande baluarte da Ação Católica na época. Envolveu-se na catequese de crianças/adultos/presos; nas obras da Igreja Matriz para a qual trabalhou durante toda sua vida ativa. Foi uma pessoa interessante, sempre se preocupando com o crescimento de Afogados em todos os aspectos.

Quando as religiosas franciscanas do Barro - Recife vieram fazer o reconhecimento da cidade, convidadas que foram pelo Mons. Arruda Câmara para tomar conta da Escola Normal Rural de Afogados da Ingazeira - ENRAI, que deveria ser inaugurada, ela as chamou para se hospedarem no casarão da família Campos Góes, sua residência.

De 1942 para 1943, auxiliada pelo padre Olímpio Torres, vigário da cidade, na época, Dona Letícia fundou a Escola Doméstica Nossa Senhora de Fátima, da qual foi a primeira e única diretora, e que tinha a finalidade de educar a mocidade feminina, formando perfeitas donas de casa, com orientação cristã. As alunas tinham uma carga horária das matérias básicas: português, matemática, geografia, história, ciências, francês e aulas de corte, costura, bordado e culinária.
Essa escola começou a funcionar em 26 de março de 1943. Era já o anseio para a criação de um Colégio oficial para moças, o que aconteceu em outubro de 1955, com a inauguração da Escola Normal Rural - iniciativa do Mons. Alfredo Bezerra de Arruda Câmara.
De 28 de dezembro de 1946 a 1º de janeiro de 1947, ela e o mons. Luiz Madureira - o idealizador - foram os organizadores do Primeiro Congresso Eucarístico Sertanejo, que reuniu as zonas do sertão do Moxotó e Pajeú, num só momento de fé. Foi presidente da Juventude Católica de Afogados da Ingazeira de 1945/1946. Na vida social foi bastante atuante, organizando festas (bailes) e teatros.

O piso da Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, e a bancada, feita por Antonio Aleixo em madeira maciça, da nave central, se deve muito a ela, pois nas viagens que fazia, levava santinhos do Senhor Bom Jesus dos Remédios e a palestra sobre padre Carlos Cottart proferida pelo padre Olímpio Torres, que ela mandou imprimir e fazia campanhas para angariar fundos para as obras.
Ainda sobre a bancada da matriz, ela com o vigário e Dona Tetê César Véras, conseguiram que muitas famílias doassem um ou dois bancos. Da sua mãe conseguiu a doação de madeira de lei da fazenda Colônia, para a reforma de vários bancos.

Às 4 horas da manhã de 20 de fevereiro de 1992, sofreu um acidente cardiovascular que a prostrou num leito por vários anos.
Faleceu, tranquilamente em sua residência, às 18h30 de 26 de janeiro de 1995. Estavam com ela: Ivone, Ana Tereza, Odete e Suely. Dona Ione por estar em tratamento de saúde no Recife, não pôde estar presente.
Ela disse, certa vez: "Se, por gratidão, meu nome ficar na história de Afogados da Ingazeira, representará muito, pois isso dará a impressão que fiz algo de bom pela minha querida terra".

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 14-Junho-2020 / 19:53:21
Olá Fernando, depois ler muitas noticias assustadoras, resolvi passar algumas para vosso conhecimento.

Aqui na terra do tio Sam estamos atravessando momentos assustadores, e posso afirmar que o que está acontecendo é uma revolução socialista/comunista sem apologia, que abrange vários estados, from "California to Boston, San Francisco to Nova York". Em Seattle, no centro da cidade, os rebeldes estabeleceram uma área de alguns quarteirões e denominaram como "free city" onde nem a polícia tem acesso, e os ocupantes estão com armas usadas pelas forças armadas e intimidando o povo.

Caro amigo, nunca pensei que chegaria a passar por tais circunstâncias aqui na “land of do free and do brave”. Isto é realmente assustador. A última vez que passei por uma experiência igual foi quando da morte de Getúlio Vargas; eu estava servindo com a Marinha do Brazil e fomos enviados para manter a Paz na área central do Rio de Janeiro.
Aqui, quase todas as grandes cidade estão em estado agitação e de rebelião, sem um final à vista. Na sua maioria são moços e moças sem um bom senso, liderados pela velha guarda esquerdista, com a ideia de interromper as eleições neste novembro. Jamais passou por minha mente que presenciaria tal situação nesta terra que tem sido uma bênção para nós e nossa família.
O negócio foi planejado e só percebemos quando se manifestou em público nos últimos dias. É como se estivéssemos acordando de um pesadelo. Acredito que tens uma boa ideia do que está acontecendo por aqui, e não desejo perturbá-lo com tais noticias.
Um abraço.

Zezé Moura <jojephd@yahoo.com>
Rosemead - Califórnia, CA EUA - 13-Junho-2020 / 8:14:12
Arco e Flecha

Oi Fernando.
Estou retornando após uma pequena pausa. Você encontrou este tesouro de Registros de óbitos de pessoas que conheci historicamente e de outras que conheci muito bem, como meus pais, que me trazem boas recordações. Às vezes ele falava sobre o fato que somente Firmina sobreviveu e eu percebia o sentimento de perda que se manifestava, principalmente do que faleceu aos 10 anos de idade.

Com minha mãe eles chegaram a ter dez filhos e filhas mas somente dois sobreviveram, Tarcisio e José (eu) que ficou sendo conhecido como Zezé. Foram dias maravilhosos crescendo no calor amoroso naquela casa que ainda hoje existe.

Uma das minhas lembranças foi quando estávamos a brincar ao lado da casa, e meu pai trabalhando, fazendo sapatos e sandálias; meu irmão estava com dois anos e meio ou três, e eu estava brincando com o arco e flecha que construi... Meu pai estava constantemente a me advertir para não apontar nas pessoas, principalmente no meu irmão que estava ao meu lado. Eu respondi que sim, nao "havia problema". Fato é que o diabinho estava trabalhando comigo e num destes momentos eu apontei pro meu irmão e lá se foi o choro daquela criança que havia sido atingida pela seta de marmeleiro. Não houve dano sério, mas ele chorava e chorava. Meu pai se levantou e veio na minha direção com uma correia na mão que foi usada algumas vezes para me lembrar sempre que o que fiz estava errado. Resultado chorava meu irmão, e eu chorava em consequência das lapadas na bunda e nas pernas.

Hoje me lembro com ternura daqueles dias.
Vamos esperar pelos próximos Registros.

Zezé Moura <jojephd@yahoo.com>
Rosemead - Califórnia, CA EUA - 4-Junho-2020 / 19:42:08

SÓ A PREVENÇÃO SALVA
Edleide Freitas Pires (*)

Viroses sempre existiram e vão existir. A pandemia da COVID-19 é um marco para fazer a população entender que só a prevenção salva. Nunca o confinamento foi regra para prevenção de doenças, apenas isolavam o portador de doenças infectocontagiosas. Confinamento e isolamento são formas igualmente cruéis e é por isso que a salvação deve vir antes das viroses chegarem. Hoje elas andam mais rápido porque ninguém quer parar.

O acesso a alimentos diversos, fáceis de preparar, com apelos de cores, sabores e texturas leva a população a se interessar por inovações dos hábitos alimentares e, com eles, o aumento do consumo. As estatísticas das doenças advindas da má alimentação demonstram ser esta a causa de outra pandemia, a obesidade, que, por sua vez, gera outras doenças metabólicas como diabetes, cardiopatias e até complicações físicas em consequência de doenças osteoarticulares.

Para o vírus da COVID-19 ainda não há remédio e é pouco provável que vá existir num breve tempo. Você é o remédio, seu corpo é o remédio e a prevenção é a solução. Quanto mais preparado o organismo, menor a possibilidade de contrair viroses e mais fácil será a recuperação. Antibióticos e analgésicos são fantásticos, e efetivos para o que se pretende, mas não curam viroses nem matam vírus. As pesquisas para estes avançam a cada dia, mas a ação do vírus é diferente. São seres vivos astuciosos que se multiplicam dentro de uma célula viva, mutam ou se disfarçam, de modo que quando acaba o estudo a seu respeito, não mais existem. Aí virão outro e outros... Não há arma que atinja o vírus sem antes atacar uma célula do indivíduo e é lógico que ele vai escolher as suas melhores células. Os microrganismos, em geral, são seletivos e escolhem o que mais lhes convém para sua multiplicação. No caso do vírus, a condição para se multiplicar está dentro das suas células. Sendo assim, ele vai competir fortemente e um dos dois vencerá, você ou ele.

Por muitas razões, o nutricionista é hoje a bola da vez. Quando recomenda uma alimentação saudável e equilibrada está contribuindo com a sua saúde geral, seu bem-estar, com a sua imunidade e, portanto, com a prevenção de doenças. É recomendável ter um “nutricionista de estimação” na agenda para ter a prevenção antes que a necessidade de cura seja necessária.

Alimento não cura. Previne e ajuda na recuperação de doenças. A boa imunidade não impede o contágio, mas mitiga as consequências das doenças infectocontagiosas. A boa alimentação, complementada com o uso regular de probióticos, contribui para o aumento da imunidade e é nela que devemos confiar. Tais microrganismos desejáveis e indispensáveis promovem a regulação orgânica e competem com os indesejáveis, além de conferirem outros benefícios à saúde geral, incluindo o aumento da imunidade.

É recomendável pensar antes de escolher o que comer. Aconselhem-se com um Nutricionista enquanto é tempo, pois só a prevenção nos salva do avassalador Coronavírus e de outras viroses que, certamente, virão.

Recife, abril de 2020
(*) Nutricionista, Profa da Universidade Federal Rural de Pernambuco

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 3-Junho-2020 / 10:56:05
JANELAS EM QUARENTENA
Edleide Freitas Pires (*)

Em tempo de quarentena janelas têm vida. Vejo da minha uma verdadeira mudança de comportamentos nunca antes observados. Homens em atividades domésticas suprindo suas próprias necessidades. Vejo desenvolvimento de talentos em uma máquina de costura que não para, seja noite ou dia. Vejo gente reunida a preparar jantar onde antes parecia que só havia um morador. Há também um notório aumento do número de luzes acesas nos prédios e reduzido número de veículos a iluminar as ruas. O silêncio dos bairros populosos foi exacerbado pelo barulho reduzido dos motores, onde os pássaros têm a notoriedade merecida. A organização dos pássaros é invejável. Têm a hora de cantar. Sabiás apresentam seu show às 4hs e às 7hs. Bem-te-vis cantam mais alto e os menos talentosos ou nunca antes percebidos se espalham sem serem molestados por humanos e máquinas.

De lá podem ver a minha também muito mudada. Vêm um corpo em movimento no mesmo lugar e nem sei se imaginam que se trata de uma esteira elétrica que me leva a algum objetivo antes desprezado. Podem querer entender o que se faz junto à uma janela a cortar papéis e pintar caixas de isopor. Nem percebem que é o despertar de um mínimo talento para a arte que valorizará baldes de gelo a partir de materiais de baixo custo e reciclados. Também podem ver o despertar de uma máquina de costura sem saber que se busca a reutilização ou até mesmo zelo para confecção de máscaras de proteção a contaminações.

Por dentro da minha janela percebi a quantidade de coisas desnecessárias e toquei a descartar e organizar seguindo a técnica do 5S. Então descobri que aranhas e cupins trabalham mesmo em tempo de confinamento compulsório. Percebi também que usos podem ser soluções para reparo de equipamentos há muito considerados obsoletos. Percebi que música faz bem à alma, gera paciência e impulsiona a vida e que tudo que se pensa para descrever uma vida reclusa no confinamento recomendado para proteção contra o poderoso vírus denominado Corona, alguém já pensou em tempo de cruel e injusta ditadura e referiu em músicas. Nesta o exílio também foi compulsório e sobejamente sofrido.

Um pensador já repetia como um mantra “o mundo vai mudar”. Este coincide com minhas perspectivas. No mínimo, os hábitos de higiene vão ser valorizados e, certamente, a população vai preferir água e saneamento básico a imensos estádios de futebol e, certamente, os políticos vão entender. Espera-se também que homens brasileiros se tornem autossuficientes, de modo a não se considerarem incapazes de gerir sua própria vida, suas próprias coisas e seu bem-estar.

A igualdade social ou, no mínimo, a redução dos desníveis sociais, vão ser valorizadas. A dificuldade de acesso a água e a alimentos com garantia de qualidade são fatores que nos colocam num nível de desigualdade preocupante. Esperamos que isto também mude.

Vamos mudar, o mundo vai mudar e vamos aprender muito e, certamente, vamos melhorar.

(*) Nutricionista, Profa da Universidade Federal Rural de Pernambuco

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 1-Junho-2020 / 16:29:10
Fernando, sou Neide Marques de Barros, sua amiga que morava na av Rio Branco e grande amiga de Solange e Elane.
Chamou minha atenção o texto de Lúcia em razão do pai dela ser primo do meu (Também José Marques - Zé de Deca que era irmão de tia Noca). Nessas histórias entrelaçadas, nossos sentimentos e lembranças afloram bem mais fortes! Lembro que os dois “José Marques” - o de Deca e o de Noca - serviram o exército na mesma época em Recife.
A maior felicidade do meu pai foi quando recebeu a notícia do final da guerra, considerando que estava escalado para pegar o navio na semana seguinte! Quanta felicidade! Meu pai também para Tabira, namorou minha mãe Deijanira (Pretinha) e aqui estamos contando mais uma linda história de uma “quase afogadense“ que saiu de Tabira aos 5 anos para morar em Afogados e juntar-se aos Marques de lá, ali fazendo grandes amigos até os 17 anos quando mudei para Recife.
Sempre mantenho contato com Lúcia de Janete!
Se puder, inclua o primo José Marques no texto.
Meu grande abraço!
Neide

_________________________

Neide, é um imenso prazer esse contato contigo. Fique à vontade para escrever neste Mural.
A última vez que nos vimos, salvo engano, foi num momento familiar muito doloroso, na Igreja de Casa Forte. (Fernando Pires)

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 1-Junho-2020 / 15:03:19
Há 99 anos, em 31 de maio de 1921, nascia em Tabira, então território afogadense, José Marques de Araújo (Zé Gago), segundo filho e único varão do casal Antônio Salviano de Araújo e Vicência Clara de Jesus. Tinha cinco irmãs: Carmélia, Maria José, Isa, Maria do Socorro e Expedita.

Na sua cidade natal foi aluno de dona Silvana Silveira Silva e Erotides Góes.

Conhecido como "Zé de Noca"; "Baraúna"; mas o que tornou marca registrada foi mesmo "Zé Gago", adquirido ainda na infância, pelo hábito de gaguejar, na ânsia de falar tudo o que pensava ao mesmo tempo.

Em 1937, com 16 anos, altera a idade para realizar o sonho de servir ao Exército Brasileiro. Em plena Segunda Guerra Mundial, José seguiria rumo à Europa, porém, permanece em Aldeia, Camaragibe-PE, onde aprendeu a guiar carros e carregava os pracinhas aos navios no Porto do Recife.

Para felicidade da família, ele fica aguardando no litoral brasileiro as ordens de embarque, o que não acontece, pois a Guerra havia chegado ao fim. Nesse período, convive com o cantor Luiz Gonzaga, que também servia ao Exército.

Posteriormente José recebe o mérito de Ex-combatente do Exército Brasileiro pelas Forças Armadas.

Após a Guerra, e de volta a Tabira, começa a trabalhar e pede auxílio à dona Noca, sua mãe, para que ela guarde suas economias. O ano era 1947.
Quando consegue juntar Cr$ 47,00 (quarenta e sete cruzeiros), compra o primeiro caminhão ao sr. Severino José, um modelo Ford, de placa PE 1-47-90.
Em 7 de março de 1950 faz sua primeira viagem a São Paulo, dando início ao que seria sua profissão: caminhoneiro. Trabalhou, também, na farmácia da família Frazão, em Princesa Isabel-PB.
Em 7 de julho de 1952 casa-se com a jovem Jeanete do Nascimento Góes, com a qual teve sete filhos: Maria Lúcia, Antônio, Maria do Socorro, José Filho (Araújo), Luciano, Maria Ivone e Tatiane Cybelle.

Foi um dos primeiros "afogadenses" a enfrentar, como motorista “chauffeur de caminhão”, as difíceis estradas, ainda de terra, da Rio/Bahia na década de 50. Mal sabia ele que sua profissão ajudaria no desenvolvimento da cidade e região que escolhera para viver ao lado de sua família: Afogados da Ingazeira.

Aposentou-se pelo INSS em 1978. Viveu prezando pela dignidade e honra no seu lar, ao lado de sua família, na Praça Monsenhor Alfredo de Arruda Câmara, 147, ao lado da Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, até 15 de agosto de 1980, quando sofreu um acidente - fazendo o que mais gostava na vida: dirigir caminhões -, no trecho da estrada São Caetano/Caruaru.

A tristeza pela sua morte e a busca de prosperidade dos filhos fez com que a família fincasse raízes no Recife. Seus filhos: Maria Lúcia, casada com o dr. Alberto Nogueira Virgínio, tem quatro filhos, reside no Recife; Antônio e Maria do Socorro residem em São Paulo, estão casados, com Etiene e Luiz, respectivamente, e têm dois filhos cada um; Araújo reside em Afogados, com a esposa Janice. O único que seguiu os passos e o sonho do pai em ser caminhoneiro. Hoje tem uma oficina mecânica no mesmo lugar onde Zé Gago consertava seus automóveis. Ambos conheceram grande parte do Brasil, juntos, e foram pioneiros na Transamazônica - importante rodovia construída na década de 60; Luciano, também casado; Maria Ivone é mãe de Gabriela; A caçula, Tatiane Cybelle, também casada, é jornalista.

Por solicitação do vereador José Tenório de Moraes, no Loteamento Manuela Valadares, bairro do Borges em Afogados da Ingazeira, existe uma rua com o seu nome.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 31-Maio-2020 / 8:31:07
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