AFOGADOS DA INGAZEIRA - MEMÓRIAS Guest Book

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Fernando, como sempre, estou lhe devendo por sua ajuda através deste Mural em reencontrar um amigo do meu tempo de criança. Você não imagina como fiquei satisfeito ao receber a mensagem que o Alberico me prendou, me chamando para reviver nosso passado desde criança.
A última vez que o vi, acho que foi 1947/1948... Ao deixar aquele rincão foi quase que um funeral, pois eu sabia que não voltaria pra lá e que as mudanças ocorreriam e eu teria somente as recordações. Você me deu o impulso para rever e reviver coisas e momentos preciosos da minha vida na pessoa do Alberico, e finalmente ao entrar em contato com ele, podendo trocar ideias e novidades que se acumularam nos últimos 61 anos.
Você é realmente um amigo, bom amigo. Já respondi ao Alberico, e estou me preparando para as futuras.
Que o Senhor Deus te abençoe e guarde.
Um abraço e até breve.

Zezé de Moura <jojephd@yahoo.com>
Rosemead - Califórnia, CA EUA - 17-Janeiro-2021 / 7:11:22
Caríssimo Fernando, como sempre, você me dá mais uma alegria, com a remessa desses comentários de Zezé. Vou entrar em contato com ele, através do e-mail e, quando o fizer, mandar-lhe-ei cópia.
Agradeço tudo o você tem feito em prol de nossa terra e de conterrâneos. Quero o livro do velho Pedro Pires, ferrenho construtor e defensor de Tabira, velha Espírito Santo. É com a participação de vultos como você e ele, Pedro Pires, que se reaviva a nossa história.
2021 com saúde, com vacina para nos tranquilizar e podermos pagar as nossas contas com a nossa gente e nossa terra.
Um grande abraço.

Alberico Batista
Natal, RN Brasil - 12-Janeiro-2021 / 20:40:35

Albérico e suas irmãs

Oi Fernando, demorei mas cá estou novamente para manter nosso contacto. Os acontecimentos destes últimos dias [nos Estados Unidos] é a continuação do que aconteceu e ainda acontece em outros estados. Grande número de desordeiros que foram identificados e apreendidos; isto é a demonstração de como os comunistas atuam.

Falemos agora de coisas mais agradáveis e boas. Gostei imensamente da entrevista com o Albérico e suas irmãs [no seu canal do YouTube]; foi uma visita ao meu passado com pessoas amigas que conheci e tive uma boa amizade que me toca o coração profundamente ao ouvir suas vozes e expressões. O Alberico tornou-se um intelectual, diria até um acadêmico. É a prova de que se aceitarmos as oportunidades, o desenvolvimento é vitorioso.

Rever o Albérico e suas irmãs Alaide e Aliete, é realmente um milagre da tecnologia moderna; podermos revê-los e ouvir suas vozes e movimentos, sao estas lembranças que nos acorda e nos leva a reviver velhas lembranças que já não nos visitavam no tempo distante. É como acordar depois de um longo sono.

Tenho boas lembranças de dona Doca e de toda família; inclusive Abelardo que, se não me engano, era o mais velho. Sem dúvida nenhuma o Albérico é um bom exemplo de perseverança, tenacidade e de capacidade intelectual; ele aceitou os desafios e oportunidades para o sucesso na vida que Deus lhe deu. Continuou marchando para frente, aceitando os desafios e foi vitorioso, sem dúvida alguma. Vieram as oportunidades e ele as aceitou sem desculpas, vindo a ser vitorioso. Ele e uma prova de que se tivermos perseveranca seremos vitoriosos. A vida e uma dadiva divina se nós nos mantivermos perseverantes seremos vitoriosos com a graça divina.

Parabéns ao Albérico. Que o Senhor o abençoe e guarde.
Louvado seja o Senhor nosso Deus.
Até a próxima!
Zezé de Moura, Janeiro 11 2021

Zezé de Moura <jojephd@yahoo.com>
Rosemead - Califórnia, CA EUA - 12-Janeiro-2021 / 7:35:58


O primo Pedro Pires Neto, através de WhatsApp, informa que será lançado no primeiro semestre deste ano o livro “Pedro Pires Ferreira, meu pai” de autoria da escritora e professora Nevinha Pires. É uma publicação “post mortem”.
A autora deixou manuscrita a história do seu pai, líder político, empresário e cidadão Pedro Pires Ferreira, que se confunde com a história de Tabira.
Era desejo da autora deixar essa obra para os tabirenses.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 6-Janeiro-2021 / 14:56:45

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Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 1-Janeiro-2021 / 9:35:57
Caro Fernando.
Não há muito o que falar... como frequentador diário do "Afogados da Ingazeira ontem & hoje", transmito-lhe os meus votos de um Ano Novo pleno de felicidades.

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Manoel, agradeço e retribuo, desejando-te, e aos teus, um 2021 com Paz, Saúde e Prosperidade. (Fernando Pires)

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Manoel Rodrigues Neto <manoelneto1946@gmail.com>
Rio de Janeiro, RJ Brasil - 31-Dezembro-2020 / 14:26:54


Gervásio Fioravanti (foto) é o nome de uma rua no Bairro das Graças, localizada entre a rua que denomina o bairro e a Rua da Amizade.
Valeu, Fernando e Sidney.

José Tadeu de Góes <jt.goes@bol.com.br>
Recife, PE Brasil - 29-Dezembro-2020 / 5:54:26

Expedita Marques Ferreira (foto), minha tia, faleceu às 7h da manhã de hoje, aos 78 anos de idade (05.06.1942 - 28.12.2020), em São Paulo.
Ela saiu do Recife quando tinha apenas 14 anos de idade, indo morar em Vitória da Conquista, na Bahia. Algum tempo depois, ela, minha avó e tia Mazé foram para a cidade de São Paulo, onde estudou, trabalhou, se casou e teve duas filhas.
Neste 28 de dezembro, após sete anos de luta contra a doença, veio a óbito.

Maria Lucia de Araújo Nogueira
Recife, PE Brasil - 28-Dezembro-2020 / 14:11:07
Gervasio Fioravanti Pires Ferreira foi um dos três filhos de Gervásio Campello Pires Ferreira, e este, filho de Mutuca, como era conhecido Domingos Caldas Pires Ferreira, o quinto dos onze filhos de Gervasio Pires Ferreira, que tem aquela rua - antiga Rua dos Pires. Ali era a antiga estrada que ligava 'Santo Amaro das Salinas' aos Coelhos, e passava por onde o pai de Gervasio, Domingos, tinha seu sítio.
Lá, nasceram Gervasio, o 12º, e mais outros 13. O logradouro hoje é denominado 'Rua Gervásio Pires'.
Gervasio Fioravanti, portanto, era neto de Mutuca e bisneto de Gervásio. Tem um belo busto desse bisneto Fioravanti na subida de uma das escadarias da nossa Faculdade de Direito.
O sexto irmão de Gervasio era José Pires Ferreira. Foi o único dos filhos homens de Domingos que não foi estudar em Coimbra e passou a proprietário de terras, muitas, entre o Piauí e o Maranhão.
Esse ramo é a origem dos Pires de Fernando Pires. Uma longa história.

Hercules Sidney Pires Liberal <sliberal@uol.com.br>
Recife, PE Brasil - 28-Dezembro-2020 / 13:37:39
Gervásio Fioravanti Pires Ferreira (foto), jurista, primeiro promotor público do Recife, deputado, poeta, membro da Academia Pernambucana de Letras e do Instituto Arqueológico, Histórico Geográfico de Pernambuco, deve ter algum vínculo familiar com Gervásio Pires Ferreira.
Com a palavra Fernando Pires.
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Oi Tadeu, acredito que sim. Vou repassar para o primo Sidney Pires, filho de Pedro Pires Ferreira, pois ele está montando a Árvore Genealógica de nossa família.
Obrigado!
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José Tadeu de Góes <jt.goes@bol.com.br>
Recife, PE Brasil - 27-Dezembro-2020 / 12:24:44

Feliz Natal - Merry Christmas

Caro amigo Fernando Pires, nesta data tão significativa para o mundo Cristão, quero te desejar um Feliz Natal e Ano Novo cheio de bênçãos celestiais.
Que o Senhor vos abençoe e guarde. São os nossos votos.

Estamos nos preparando para nos reunir com filhos e netos logo após o café da manhã, e estaremos passando o dia em 'Oranje County'. É uma cidade costeira, em local muito agradável.
O Senhor tem nos abençoado de maneira que me faz repetir continuamente: Louvado seja o Senhor Deus e seu filho Jesus Cristo. Aleluia, amém!

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Caro Zezé, que Deus te abençoe e aos teus, neste Natal, e que tenhamos um novo ano de Paz! (Fernando Pires)

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Zezé Moura <jojephd@yahoo.com>
Rosemead - Califórnia, CA EUA - 25-Dezembro-2020 / 12:04:36


Hoje nos solidarizamos com o amigo Nill Jr. pelo falecimento de sua irmã Nívea Cléa Ramos Galindo, ocorrido na capital pernambucana nesta segunda-feira 21.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 21-Dezembro-2020 / 21:07:38
Faleceu no dia 17 de dezembro de 2020 (em Serra Talhada), Maria Sinelândia De Siqueira Lopes (foto), esposa do empresário José Lopes Nogueira, popularmente conhecido como Zuquinha.
Nascida em Iguaracy, mudou-se ainda muito jovem para Afogados da Ingazeira onde formou uma família numerosa e sólida.
Uma dona de casa e esposa exemplar, ela foi também uma mãe e avó incomparável. Mulher forte, prestativa e caridosa, ajudava muitos ao seu redor e mantinha enorme carinho e atenção especial aos animais de rua.
Marido, filhos, sobrinha, genros e netos, ainda profundamente consternados com a perda, agradecem aos familiares, amigos e a todos que expressaram sua solidariedade neste momento de dor.
Outrossim convidam a todos para a Missa do Sétimo Dia a ser celebrada nesta quarta-feira 23, às 19 horas na Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios. Será uma missa campal.
Por mais este ato de fé, os familiares agradecem

Ana Maria De Siqueira Lopes <ams.lopes@hotmail.com>
Oslo, Noruega - 21-Dezembro-2020 / 17:47:08

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Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 19-Dezembro-2020 / 6:53:42

Oito anos de saudades de minha irmã Maria Betânia Bezerra de Freitas.
Ela nasceu no dia 2 de setembro de 1962, e faleceu em 18 de dezembro de 2012.

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Ela foi casada com João Carlos Alves Viana (Cacau, filho de José Ivanildo Braga Viana, primeiro subgerente do BB-Afogados da Ingazeira nos anos 1960).

Cacau faleceu ontem (17.12), em Goiana, PE.
Que Deus conforte seus familiares.

Maria Goretti Freitas
Recife, PE Brasil - 18-Dezembro-2020 / 11:10:48

Faleceu ontem, aos 39 anos de idade (13/10/1981 - 17/12/2020), no Hospital Regional Emília Câmara, em Afogados da Ingazeira, o nosso conterrâneo/amigo Silvio Cesar de Lima Ramos.

Portador de comorbidade (hipertensão e diabetes), tinha deficiência visual, mas, um jovem extrovertido e ativo com grande círculo de amizade.
Aos seus pais Ângelo de Melo Ramos e Edna de Lima Ramos, nossa solidariedade.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 18-Dezembro-2020 / 9:43:17

Francisco Aurélio Pires Torres
27.10.1973 – 27.10.1999

No dia 21 de outubro de 2012 (há 8 anos) pedi pra minha tia Dária escrever algo sobre o seu filho, meu primo Francisco Aurélio, e ela respondeu:
"É difícil escrever a história de Aurélio, por motivos óbvios; fiz assim, então:

FRANCISCO AURELIO PIRES TORRES
Filiação: Joseli Gomes Torres e Dária Lúcia Pires Torres
Nascimento: 27 de outubro de 1973
Morte: 27 de outubro de 1999 (no dia do seu aniversário, aos 26 anos de idade)
Estudante do Colégio Salesiano do Sagrado Coração

Sempre, em todos os momentos, após à ausência de treze anos de Francisco Aurélio, a completar no próximo 27 de outubro de 2012, se desenha pra mim, como humanamente suportei a dor de sua perda prematura, e verifico também que ao longo de minha caminhada, e em todas as situações adversas que vivi, a resposta clara e precisa que encontrei foi no Amparo de DEUS. Daí, diante da minha FÉ, a forma presente de falar do meu filho: boa índole, carinhoso, inteligente, mas, que não conseguiu a felicidade e a paz com os dons que tinha.

Meu filho muito amado, 'Quando o inverno, verão, outono e primavera chegarem (no tempo de DEUS) eu quero estar junto a ti'.
Te amo até o céu.
INFINITAMENTE!

Tua mãe, Dária."

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Dária faleceu no dia 10 de março de 2015, e foi sepultada no túmulo da nossa família, junto ao seu filho, em Afogados da Ingazeira.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 18-Dezembro-2020 / 7:30:28

Em 2003, para entrevistar dona Creuza, "Personagem da Nossa História", conversei com o filho Silvério Queiróz, e que teve a sua concordância."
Quando desse encontro, Silvério esteve presente.



Fomos informados, há pouco, do falecimento de dona Creuza Queiróz, viúva de Zezé Rodrigues, nesta terça-feira 15, aqui no Recife.
Ela contava 95 anos de idade.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 15-Dezembro-2020 / 21:19:10

Damião Alves dos Santos (Bião)
10.12.1935 - 26.11.2012

Filho dos agricultores Antônio Alves dos Santos e de Maria Alves de Queiróz, Bião nasceu na zona rural de Carnaíba, no sítio Olho d’Água, em 10 de dezembro de 1935. De uma família de sete irmãos e de origem humilde, com exceção de um deles, todos são católicos. Viveu toda a infância na zona rural. Somente aos 16 anos começou a frequentar a escola municipal em Carnaíba.
Em julho de 1955 foi morar em Afogados da Ingazeira onde cursou admissão ao ginásio, o ginasial e comercial básico no Instituto Pio X. De 1957 a 1960 explorou o comércio de tecidos e miudezas. De janeiro de 1960 a dezembro de 1961, esteve em Brasília, DF, retornando a Afogados da Ingazeira e, entre os anos de 1962 e 1965, explorou o comércio de estivas.

Em 13 de outubro de 1963, celebrado por Padre Antônio de Pádua Santos na Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, se casou com Maria do Carmo Honorato. O casal teve dez filhos: dois homens e oito mulheres.

Em 1965 Bião iniciou os estudos de Contabilidade no Ginásio Cenecista Monsenhor Pinto de Campos, concluindo-o em 1967. A atividade como técnico em contabilidade, em sociedade com sua tia, foi em dezembro de 1967. Em 1973, na Faculdade Francisco Mascarenhas, em Patos, na Paraíba, iniciou o curso de Ciências e Letras, concluindo-o em 1978, quando foi efetivado professor estadual, ensinando Contabilidade, Economia e Mercado, Direito e Legislação Aplicada e Teoria da Informática, no Ginásio Mons. Pinto de Campos e Escola Mons. Antônio de Pádua Santos. Durante 21 anos exerceu o magistério.

Participou de Junta Apuradora de Eleições durante muitos anos; como político, foi presidente de partido (antiga ARENA) durante 5 anos, e vereador por quatorze anos, dois dos quais como presidente da Câmara Municipal. Dentre os seus projetos podemos citar a nominação de logradouros da cidade. Foi o relator da Lei Orgânica do Município de Afogados da Ingazeira e participou da Comissão Temática que elaborou o anteprojeto, sendo, também, o relator da Comissão de Sistematização.

Damião enveredou na política desde o governo do prefeito Possidônio Gomes dos Santos (1955-1959). Foi opositor de João Alves Filho no seu segundo mandato (1983/1988), mas disse que ele fez um bom governo, pois, como vereador da oposição, foi atendido em vários dos seus pleitos, revelando-o um “prefeito de obras”. “Era comum se ver Joãozinho controlando as finanças da Prefeitura em papel de embrulho. Não era mesquinho nem fazia negociatas com o dinheiro público”, disse. Mesmo sendo de oposição, Damião encampou um movimento para a aprovação dos Projetos do prefeito Joãozinho Alves, pois este era um homem e político sério e bem intencionado.
Foi reeleito para mais 4 anos (1989/1992), pelo mesmo partido, com o prefeito Orisvaldo Inácio da Silva. No seu terceiro mandato (1993/1996), também pelo PDS, com o prefeito Totonho Valadares, foi presidente da Câmara Municipal por dois anos. Atuou como tesoureiro municipal no último mandato do governo Gisa Simões.
Após a Constituição de 1988, foi o relator da Lei Orgânica do Município, após haver participado como primeiro secretário e membro de outras Comissões da Câmara de Vereadores.
Dizia-se decepcionado com a política. “A gente, como legislador, entra na política com a intenção de fazer alguma coisa pelo povo, mas vem o executivo que quer ter o vereador como ‘espoleta’ para aprovar tudo o que ele quer e que seja do seu interesse pessoal. No primeiro mandato, o prefeito Antonio Valadares (1993/1996) queria aprovar a Cobrança de Iluminação Pública (CIP), mas eu discordei, pois era um projeto inconstitucional”, disse Bião. Tendo esse projeto sido aprovado posteriormente, menciona como exemplo a cobrança absurda de R$ 80,00 de Iluminação Pública de uma pequena sorveteria na Trav. Major Antônio Cesar.

No último mandato do Governador Miguel Arraes, foi nomeado Diretor da escola de 1º e 2º graus, atualmente Mons. Antônio de Pádua Santos. Mesmo aposentado como professor estadual (1999) e pelo INSS (2004), exercia a atividade de Técnico em Contabilidade, ajudando suas filhas no escritório.

Era um homem apreciador da boa leitura, bater papo com os amigos e discutir política. Não tendo preferência literária, lia muito os autores nacionais: Humberto de Campos, Machado de Assis, José de Alencar, Jorge Amado. Só para ilustrar, leu: Gabriela, Vidas Secas, Memórias do Cárcere, O Tronco do Ipê, Vale de Josafá (passagem bíblica), dentre outros.

Faleceu numa segunda-feira, 26 de novembro de 2012, próximo aos 77 anos de idade, em Afogados da Ingazeira, em decorrência de um CA.

Neste dezembro, Damião Alves dos Santos completaria 85 anos de idade.

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Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 14-Dezembro-2020 / 15:08:59
Delmiro Nazário de Sousa

Há 116 anos nascia no Sítio Brotas, Afogados da Ingazeira, no dia 23 de dezembro de 1904, filho do casal Joaquim Nazário de Sousa e Maria Joaquina de Carvalho, Delmiro Nazário de Sousa. Seus irmãos: Moisés, Severina, Maria José (Santa) e Luzia Nazário de Sousa.
Quando contava 15 anos de idade (1919) seu pai faleceu, e Delmiro, único filho solteiro dos cinco irmãos, teve que assumir a responsabilidade de defender os interesses econômicos de sua mãe, já residindo no Sítio Riacho da Onça, onde seu pai deixou como herança um grande açude, plantações de algodão e de cana-de-açúcar, um engenho de fabricação de rapadura (produto de grande aceitação comercial na época) e criação de gado bovino.
Foi um homem comedido e, quando jovem, um tanto vaidoso. O segundo ou terceiro automóvel (Ford 24) que circulou nas ruas de Afogados da Ingazeira lhe pertencia. Vendeu-o com o objetivo de comprar outro mais moderno, mas devido se tratar de um homem muito tímido e vir a obrigatoriedade da carteira de habilitação desistiu da nova aquisição.
Em 1931 se casou com a jovem Luiza Nunes de Azevedo, procedente do Sítio Carro Quebrado, situado nas proximidades do distrito de Varas, hoje Jabitacá, Iguaracy. Da união de Delmiro e Luiza nasceram os filhos: Maria José (Zélia), Joaquim, Pedro, Inês e Maria de Lourdes Nazário de Azevedo.
Delmiro tinha grande afeição por sua mãe, e por esse motivo nunca deixou o Sítio Riacho da Onça, vivendo de plantar cana-de-açúcar, algodão, agricultura de subsistência (milho e feijão de corda) e da criação de gado bovino, caprino e ovino. Homem de coração generoso, defensor do meio ambiente, seus melhores amigos em Afogados da Ingazeira foram: Luiz de Sá Maranhão (Seu Liliu), Miguel de Campos Góes (Miguelito), José Rodrigues de Brito (Zezé Rodrigues) e Aparício de Morais Veras, a quem dava preferência de vender sua produção de algodão.
Tinha aversão às cores vermelha e preta e a um juiz da comarca da cidade de Afogados da Ingazeira e proprietário do Sítio Borges, devido ter-lhe comprado um cavalo, procedente de furto, e o tal juiz o ter ameaçado mandar lhe meter na cadeia (...)
Seu único divertimento foi assistir os júris na cidade. Naqueles dias, selava seu cavalo e se dirigia à cidade com esse objetivo (exceto quando o júri era presidido pelo tal juiz). Admirava os debates entre promotores e advogados.
Gostava de usar os pensamentos: “não se deve deixar para amanhã o que se pode fazer hoje”; “filho só puxa o pai quando o mesmo é cego”; “o homem que não sabe ler é comparado a um cego”; “a pessoa que não lê é perdida no mundo”.
Zeloso no cumprimento do dever de homem e pai de família, procurava inspirar nos filhos essa nobreza de caráter. A simplicidade de sua vida na zona rural não ocultava a preocupação com o futuro dos filhos. Tinha o hábito de usar chapéu. Só o tirava da cabeça quando ia fazer as refeições, tomar banho ou dormir. Sua marca de preferência era a Ramezony 3X. Em 1965 comprou o último na loja do Senhor Guardiato Veras, produto de uma encomenda reservada pelo funcionário Israel Marques dos Santos. Ainda hoje a família o guarda com muito carinho.
Aos 62 anos de idade nunca havia tomado uma injeção. No dia 24 de junho de 1966 se submeteu a uma cirurgia de estômago no Hospital do Câncer do Recife, realizada pelo Dr. Almir Couto e, um mês depois, no dia 24 de agosto do mesmo ano partiu para o mundo dos mortos em sua residência na Praça Mons. Alfredo Arruda Câmara, nº 249, em Afogados da Ingazeira, PE, resignado, sem dar um único gemido.
Suas últimas palavras foram chamar pelo nome de seu filho Pedro. Deixou muitas saudades entres os familiares.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 13-Dezembro-2020 / 10:38:28

Odilon do Amaral Góes
No próximo 14 de março completaria 114 anos

Filho de Cazuzinha Góes e Belizarina Amaral Góes, Odilon nasceu na cidade de Custódia, sertão de Pernambuco, no dia 14 de março de 1906. De uma família de 7 filhos, eram seus irmãos: Demóstenes (casado com Maria Emília, irmã de Guardiato Veras), Lodônio (casado com Quitéria), Antônio (casado com Laudicéia), José (casado com Severina Morais), Maria (Nininha) e Marieta do Amaral Góes (casada com Aristeu Campos Góes).
A família residia no sítio Serra da Colônia, Carnaíba, onde não existia escola, motivo pelo qual Odilon começou seus estudos com a idade de 9 anos, quando deixou a família e foi morar em Custódia na casa dos padrinhos de batismo. Naquela casa, procurou se dedicar aos estudos, pois seu maior sonho era aprender a ler. No entanto, o horário das aulas era somado ao trabalho na roça com o plantio de feijão, milho, limpa da terra e cuidados com o gado. À noite, muito cansado, já não tinha disposição para as tarefas escolares. Como era de se esperar, seu corpo frágil e em formação não suportou essa carga de atividades. Assim, após três anos fora de casa, pediu aos pais autorização para retornar, no que foi atendido.
Aos 12 anos, já em Afogados da Ingazeira, voltou a estudar. Os pais continuaram na Serra da Colônia onde Odilon os visitava semanalmente. Nessa época Odilon Góes começou a trabalhar na loja de Secos & Molhados de dona Maroca, mãe de Cazuzinha e Liliza Travassos. Depois, já com 19 anos foi trabalhar na loja de Guardiato de Moraes Veras, onde permaneceu por muitos anos, até conseguir sua aposentadoria.

O seu matrimônio com Maria de Lourdes Freire Nascimento (Lurdes Góes) foi realizado em 5 de dezembro de 1935, em Ibitiranga (antiga Boa Vista), na casa de Cirilo José do Nascimento e Leontina Freire de Oliveira, pais da noiva. O Padre João Amâncio foi o celebrante. A festa do seu casamento durou três dias, com muita comida (foi abatido um boi) e animação da banda musical de Afogados da Ingazeira. Jaime Gomes Travassos e Antônio Mariano Silvestre (Antônio Dondon) foram os coroinhas. Quando se casou, Odilon Góes já trabalhava na loja de seu Guardiato Veras. O casal teve sete filhos: Jeanete, José Humberto (falecido), Terezinha (falecida), Maria Lúcia, Magdala, Carmem Lúcia e Marluce Freire Góes.

Odilon Góes trabalhou 36 anos, até abril de 1960. Após a aposentadoria, passou a explorar um pequeno comércio de tecidos até quando se sentiu disposto. Algum tempo depois, devido ao peso da idade, abandonou o comércio, passando a ocupar o tempo com o seu sítio, nas proximidades da cidade, como forma de lazer.
Fumava com frequência e gostava muito de ler, especialmente jornais, além de conservar o hábito de ouvir rádio. Em tempos outros, a sala de sua casa ficava cheia de gente: eram os vizinhos que queriam ouvir o Repórter Esso, noticiário jornalístico de grande sucesso até os anos 60.

Homem católico, muito correto e de poucas palavras, dizia aos amigos que a fortuna que iria deixar para os filhos se traduzia no exemplo do seu proceder. Acometido de um enfisema pulmonar, passou quase dez anos adoentado, até que, em decorrência de um AVC, faleceu numa quinta-feira, 29 de março de 1990, aos 84 anos de idade, em sua residência na Praça Padre Carlos Cottart, 22, em Afogados da Ingazeira. Seu sepultamento foi realizado no Cemitério São Judas Tadeu.
[Por Milton Oliveira, com enxertos nossos]

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 11-Dezembro-2020 / 14:30:02

Há 31 anos [4 de dezembro de 1989] Afogados da Ingazeira perdia o talentoso radialista, professor, ator, multi artista Waldecy Xavier de Menezes.
Hoje estaria com 92 anos de idade.

Na Rua Maciel Pinheiro, em Nazaré da Mata, Pernambuco, nasceu Waldecy Xavier de Menezes. Era uma quarta-feira da manhã de 22 de abril de 1928. Waldecy teve uma infância de menino pobre. Estudou no Grupo Escolar Maciel Monteiro, em Nazaré da Mata. Ao voltar da escola ia com os irmãos para um pequeno sítio do seu pai, próximo à cidade, ajudar no plantio de milho, feijão e batata-doce, produtos que completavam a alimentação da família.

Conheceu o padre João José da Mota e Albuquerque por essa época, de quem recebeu o convite para fazer parte da Cruzada Eucarística, tendo Waldecy Menezes permanecido algum tempo ajudando na igreja, inclusive como sacristão. Ao fundar o colégio em Nazaré da Mata, o padre Mota levou Waldecy para estudar lá, dando-lhe ensino gratuito, além de todos os livros escolares. Tempos depois, já rapaz, Waldecy Menezes deixou a terra natal e foi para o Recife tentar a sorte. Conseguiu emprego de bilheteiro no Cinema Glória, localizado no pátio do Mercado São José, no bairro do mesmo nome. Depois foi promovido a gerente. Por lá passou quase dois anos, depois decidiu retornar à terra natal.

Em Nazaré da Mata, manteve contato com a Companhia de Teatro Oden Soares que se apresentava na cidade. Contra a vontade do pai, seguiu em caravana com esses atores mambembes. Portanto, era rapaz quando, pela primeira vez, subiu no palco para representar. Antes, no tempo que estudou no colégio das freiras, em Nazaré da Mata, havia participado de uma peça teatral, onde fez o papel de São Tarcísio.

Em Senador Pompeu, no Ceará, o dono da Companhia de Teatro teve de abandonar o grupo, por questão de saúde na família. Dois meses depois, quando a Companhia chegou a Quixadá (CE), a cidade estava em plena campanha política e não houve oportunidade para os atores encenarem as peças do repertório, de modo que, sem trabalho, eles chegaram a passar fome. Entretanto, quando a cidade tomou conhecimento do drama que atormentava os componentes da Companhia de Teatro, socorreu-os com dinheiro e gêneros alimentícios. Dali eles seguiram para outras praças, onde se apresentaram com sucesso. Ao chegar à cidade de Campina Grande, na Paraíba, a Companhia de Teatro foi desfeita e Waldecy Menezes foi para o Recife. Fez teste na Rádio Clube de Pernambuco (PRA-8) e em 7 de janeiro de 1951, às 18 horas, pela primeira vez utilizou um microfone profissional, na radionovela “Santa Cecília”, onde fez o papel de um cego, pronunciando uma única frase: “Patroa, o jantar está à mesa. ”

Em 1º de janeiro de 1954 Waldecy Menezes foi para Belém, no Pará, ajudar na instalação da Rádio Marajoara, que foi ao ar no dia 26 de janeiro daquele mesmo ano. No seu retorno ao Recife, passou a trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco. Trabalhou, também, na Rádio Tamandaré. Mas foi na Rádio Clube que ele teve maior projeção, inclusive chegou a trabalhar com Chico Anysio, Fernando Castelão, J. Austragésilo e outros monstros da comunicação.

Em 1959, o então bispo de Afogados da Ingazeira, Dom João José da Mota e Albuquerque - o ex-professor padre Mota -, seu amigo, procurou o radialista e o convidou para administrar a Rádio Pajeú de Educação Popular que estava sendo instalada naquela cidade. Em 26 de setembro de 1959, ao final da tarde daquele sábado, Waldecy Xavier de Menezes desceu do trem, pisando, assim, pela primeira vez, o solo de Afogados da Ingazeira, cidade que o acolheu como filho e por ele foi amada de forma invulgar. Da estação, Waldecy Menezes seguiu num carro de praça (Ford 29, dirigido por Carlos Brito) em direção ao Grande Hotel, onde ficou hospedado alguns meses. Depois se mudou para o Palácio Episcopal, residindo, durante muito tempo, na companhia do bispo.

No dia 4 de outubro de 1959 foi inaugurada a Rádio Pajeú. “Luzes da Ribalta” foi a primeira música a ir ao ar. Waldecy trazia um rádio de pilha na mão, quando entrou no Cine São José à procura do bispo, que ali estava inspecionando o trabalho dos pedreiros. Tinha um sorriso nos lábios e foi logo dizendo: “Dom Mota, sua emissora está no ar.”

Em maio de 1961, Dom Mota foi assumir a diocese de Sobral, no Ceará. Waldecy Menezes teve, então, de deixar o Palácio Episcopal, indo residir na casa do Sr. Manoel de Sá Maranhão, mais conhecido como Deda Capitão, que abriu as portas de seu lar para o radialista, atendendo a um pedido de Dom Mota. Quase seis anos depois, Waldecy Menezes deixou essa família e o lar que o acolheu, para se casar, em 6 de dezembro de 1966, com a professora Ivanise Pereira de Menezes, com quem teve os filhos: Alexandre Magno, Aline Márcia, Adriana Flávia e Ana Patrícia.

Antes de deixar a diocese de Afogados da Ingazeira, Dom Mota pediu a Waldecy Menezes que permanecesse na Rádio Pajeú enquanto fosse possível. E o radialista só a deixou ao morrer. Ao ser indagado, numa entrevista, se teria condições de atender o pedido do bispo, Waldecy Menezes respondeu: “Mesmo que eu não tenha mais condições de trabalhar, mesmo aposentado, todos os dias terei de ir à Rádio Pajeú, ao menos para vê-la, a não ser que esteja hospitalizado. Estou, e estarei na Rádio Pajeú até o fim dos meus dias.”

Professor brilhante, proficiente, de oratória invulgar e bela, Waldecy Xavier de Menezes foi o que de melhor pode prover o ensino médio, no Vale do Pajeú, no tocante ao mister de lente, na cadeira de História. Ao tempo em que exercia o magistério, Waldecy Menezes fez Licenciatura na Faculdade de Formação de Professores, na cidade de Arcoverde (PE). Homem católico e muito inteligente.

Apresentou inúmeros programas de auditório no palco do Cine São José. No período de inverno, o programa acontecia à noite, na sexta-feira, e chamava-se “Festa na Roça”, sendo auxiliado, durante algum tempo, pela professora Maria do Carmo (Carminha da Estação), que, ao lado dele, formava o casal de matuto. Nas demais épocas, o programa era na manhã do domingo, e tinha, agora, o nome de “Domingo Alegre”. Os jovens cantores locais (Antônio Xavier, Assis de Floriano, Eduardo Rodrigues, Lindaura Siqueira, José Martins, Maria da Paz, Júlio Góes, Oscarzinho, Geraldo Valdevino, Milton Freitas, Luciana Arcoverde (Lulita) e tantos outros) tinham, no programa, espaço para exibirem o talento artístico (Maria da Paz, em memória). Waldecy Menezes também trouxe para seus programas, artistas renomados, como Genival Lacerda, Hélio Lacerda (Lacerdinha), Luiz Gonzaga, Coronel Ludugero, Waldik Soriano, Alcides Gerardi, José Augusto, Adilson Ramos e outros mais. Infelizmente, por falta de patrocínio, tanto o “Festa na Roça” como o “Domingo Alegre” tiveram de ser interrompidos.

Como bom ator que era (já havia trabalhado no filme “Canto do Mar”, de Roberto Cavalcante, onde teve como companheira a atriz Aurora Duarte), Waldecy Menezes fez muito sucesso por onde passou, especialmente ao declamar poesias belíssimas, sendo a mais requisitada, justamente pelo seu impacto emocional, o monólogo “Perfil de Hospício”, de Alberico Bruno: “Num recanto de hospício, / Eu contemplava ali um mundo de sofrimento. / Em cada cela havia um mundo diferente. / A um canto / Uns falavam, outros sorriam...”

Nos últimos anos de vida, Waldecy ficou praticamente cego. Não conseguiu juntar dinheiro suficiente para impedir o avanço da catarata. Logo, porém, recebeu ajuda, e pôde finalmente trocar o cristalino ocular, recuperando a visão. Enquanto esteve com essa deficiência, contou os passos que dava de casa à Rádio, mas não quebrou a promessa feita ao seu velho amigo Dom Mota.

Waldecy Menezes faleceu no dia 4 de dezembro de 1989 [há 31 anos], aos 61 anos de idade, no Hospital Miguel Calmon, em Casa Amarela, na cidade do Recife, sendo sepultado em Afogados da Ingazeira. Seu féretro foi acompanhado por milhares de amigos e fervorosos admiradores. (por Milton Oliveira com enxertos nossos)

______________________________________________________

Pioneiro na comunicação radiofônica no sertão pernambucano, através da Rádio Pajeú de Afogados da Ingazeira, e muito querido na região do Pajeú, não poderíamos deixar de registrar suas memórias. Já bastante debilitado, por meses tentamos essa entrevista, até que em março de 1989, nove meses antes do seu falecimento, ele concordou em conversar conosco. Para tanto, convidei Milton Oliveira e Anchieta Santos para nos auxiliar nesse empreitada. O amigo Luiz Guaxinim estava presente com o seu saxofone.



Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 9-Dezembro-2020 / 10:30:08
Caro amigo Fernando,

Esta é a maneira mais apropriada para me despertar do torpor do enfado, quando se está sonolento, sem vontade de fazer nada, quando de repente aí vem a maior demonstração do ‘Tico Tico no Fuba’ de Zequinha de Abreu. Fico imensamente grato, pois voltei ao viver com o primeiro som daquela fantástica apresentação musical que chamamos de ‘chorinho musical’.
Sem dúvida nenhuma, fui transportado mentalmente até Afogados da Ingazeira dos anos 1947/1948 e revivi aqueles momentos inesquecíveis ouvindo o ‘Serviço de Autofalantes Pajeú’, transmitindo os mais recentes recordes da música popular brasileira, e o Tico Tico no Fubá era um deles.
Para mim, a música é um meio de reviver ouvindo muitos sucessos musicais que fizeram parte da minha vida. Eu estava a descobrir o mundo desconhecido. Devo dizer que foi a minha introdução ao mundo moderno. Foi naquela época, também, que o trem chegou até Afogados da Ingazeira, e os jornais do Recife chegavam até nós ao anoitecer, pelos trens. Parece até ser contos da carochinha mas era a realidade daquela época.
Uma das coisas que relembro com ternura era ouvir o apito do trem chegando à nossa cidade; era algo marcante, anunciando: 'aqui estou, cheguei!'
Tico-Tico no Fubá continuou sendo um amigo por longa parte da minha vida e continua até agora como parte das memórias que às vezes se manifestam através deste Mural que o amigo Fernando Pires nos apresenta de modo contínuo.
Muito grato, Fernando, e até a próxima, se Deus quiser.

Zezé Moura <jojephd@yahoo.com>
Rosemead - Califórnia, CA EUA - 8-Dezembro-2020 / 8:17:49
Alfredo de Arruda Câmara, filho de Júlio de Senna Bezerra Câmara e de Emília Capitulina de Magalhães Câmara, de tradicional família pernambucana, nasceu às 22 horas de 6 de dezembro de 1905, há 115 anos, na povoação de Varas, então município de Afogados da Ingazeira.

Realizou seus estudos primários na cidade natal, e o curso secundário no Colégio Diocesano de Triunfo. Em 1920, com 14 anos de idade, ingressou no Seminário de Olinda onde cursou Filosofia e o primeiro ano de Teologia. Distinguindo-se por seu comportamento e inteligência, foi escolhido, em 1925, para estudar no colégio Pio Latino-Americano e na Universidade Gregoriana de Roma, onde obteve doutorado em Teologia Dogmática no ano de 1928. Durante sua estada em Roma, tirou ainda a láurea em Filosofia na Academia de Santo Tomás e traduziu do francês o livro “O Guia do Seminarista”.
Ordenou-se aos 22 anos de idade, em 7 de abril de 1928, regressando ao Brasil em julho, exercendo interinamente o lugar de pároco no bairro de Piedade (Recife) e em Afogados da Ingazeira.

Nomeado pároco de Pesqueira e Cura de Catedral em dezembro de 1928, exerceu o cargo (acumulado) de reitor do Seminário Menor, e professor de Latim, na sede de bispado em Pesqueira. O seu paroquiato ali durou seis anos (1928-1934) exercendo as funções de pároco da catedral, professor no seminário menor, e diretor do colégio diocesano.
Em 1934, Dom Adalberto Sobral - ao que parece, coagido pelas classes dominante da cidade industrial que não simpatizavam com as posições de padre Alfredo de Arruda Câmara - retirou-lhe a paróquia, obrigando-o a transferir-se para o Recife onde Dom Miguel de Lima Valverde o recebeu e permitiu que continuasse sua atividade política à qual se dedicou, “com seu temperamento escaldado, desconhecendo os meios-termos, sempre arrastado aos extremos, embora padre cem por cento, de costumes ilibados, cheio de ‘espírito de fé’ e de formação granítica escreve Costa Porto”.

Nunca deixou, entretanto, de voltar a Pesqueira, pois tinha aí a sua principal base eleitoral. Tinha um porte hierático, passos largos, voz grave, rosto severo. Antes do exílio na capital, iniciara suas atividades de capelão militar no Tiro de Guerra em Pesqueira. Como tal, acompanhou tropas, por três vezes, em expedições revolucionárias. A primeira foi a serviço da ‘Aliança Liberal’, na revolução de outubro de 1930. Designado pelo general Juarez Távora, acompanhou a coluna de Juracy Magalhães, quando foi preso e capturado.
Entusiasmou-se pelos seus ideais da Revolução de 1930 e conseguiu licença de seus superiores para servir de capelão nas tropas libertadoras, sendo injustamente preso na Bahia. Em outubro de 1931, ainda no destemido exercício de seu sacerdócio, seguiu o Tiro de Guerra de Pesqueira para o cerco do Recife quando foi baleado e deixado semimorto pelos comunistas, por ocasião do motim de Pedro Calado. Salvou-se graças a transfusão de sangue, doado por Caio, irmão do interventor Carlos de Lima Cavalcanti.

Discordâncias partidárias o levaram a afastar-se de Lima Cavalcanti e aproximar-se de Agamenon Magalhães.
Em 1932, na ‘Revolução Constitucionalista’ contra Getúlio Vargas, ei-lo em São Paulo com o Batalhão Militar de Pernambuco. Suas incríveis aventuras como capelão dessas batalhas e sua heroica assistência aos feridos e prisioneiros encontram-se descritas em "Traços de Minha Vida" e "História de minha prisão". Sua vocação política teria despertado nessas experiências? Em 1933, foi eleito deputado federal à Constituinte pelo PSD (com licença eclesiástica), defendendo com êxito os postulados da ‘Liga Eleitoral Católica’: o nome de Deus na Carta Magna, o ensino religioso na escola pública, a assistência religiosa às Forças Armadas, o reconhecimento civil do casamento religioso etc.

Em 1937, com o Estado Novo, sua carreira política sofreu forte abalo. Homem de atividade incansável, apesar de menosprezado pelo governo de Agamenon Magalhães, é nomeado diretor da Caixa Econômica Federal de Pernambuco de 1938 a 1948. Foi membro do diretório de PSD, fundador e presidente do ‘Partido Democrata Cristão’, examinador de concursos, professor e membro das mais importantes Comissões da Câmara Federal.
Alcançou os postos de major do Exército e tenente-coronel da Polícia Militar. Deputado desde 1933, participou de três constituintes (1934, 1935 e 1967) e de seis legislativas, sempre reeleito pelo povo fiel à bandeira de coragem, civismo e religiosidade.
Ficou conhecido como "o padre-jagunço do Pajeú", por andar sempre armado. Provocado certa feita, em 1937, por um grupo de estudantes, chegou a sacar de seu revólver, ameaçando os manifestantes.
Defensor intransigente da família, terçou armas contra o divórcio e tornou-se um dos mais atuantes deputados federais, além de jornalista incisivo. Em reconhecimento do seu trabalho, a Santa Sé o distinguiu com a dignidade de Monsenhor, em 1948, e de Protonotário Apostólico em 1954.
Orador fluente e culto, destacou-se, não só nos debates do Parlamento, mas também no púlpito e em grandes solenidades. Por seus serviços prestados à Polícia e ao Exército, recebeu a patente de tenente-coronel honorário da polícia de Pernambuco e de major honorário do Exército. Seu destemor criou em torno de sua pessoa uma auréola de valentia agressiva.

Por sua atuação esclarecida e desassombrada, conseguiu o monsenhor Arruda Câmara a reputação de um dos mais notáveis deputados pernambucanos de todos os tempos, tornando-se um líder decisivo na política nacional. Promoveu grandes debates em defesa da família. De um lado estava ele combatendo o divórcio; do outro, o deputado Nelson Carneiro tentando a todo custo, legalizá-lo. De 1945 a 1954 presidiu o PDC local. O Partido Democrata Cristão era um movimento inspirado no pensamento católico europeu de De Gasperi e Maritain e, aqui, em Alceu de Amoroso Lima. Seu objetivo, em síntese, era o da 3ª via política, preconizada por Pio XI, que se afastasse tanto do comunismo como do capitalismo promovendo a reforma social na justiça e na liberdade.
Ensinou Latim e História da Filosofia, no Seminário de Olinda. Em seu livro "Preservação da Família e das Tradições" resume seu ideal de vida: "nem esquerda, nem direita; no centro; para frente e para o alto, eis o nosso lema". Arruda Câmara representa uma época e uma mentalidade em termos de política e de Igreja, porém, não deixa de ser admirável a coerência e a fidelidade com que viveu os dois papéis de padre e de político na defesa dos valores que julgou essenciais.

O monsenhor nada perdera de seu entusiasmo e idealismo, quando foi surpreendido pela morte em 21 de fevereiro de 1970, aos 64 anos, falecendo no Hospital dos Servidores, no Rio de Janeiro.

Vale ressaltar que a sua luta foi de influência tal que, somente sete anos após a sua morte, em dezembro de 1977, quando já não se podia mais ouvir a voz do grande afogadense, é que a 'Lei do Divórcio' foi sancionada em nosso país.
Seu corpo foi transladado para o Recife e sepultado no cemitério de Santo Amaro, com honras religiosas e militares.

Entre os inúmeros trabalhos publicados destacam-se as obras: Casamento Indissolúvel; Contra o Comunismo; A Família e as Imagens; Em Defesa da Família; A Família e o Divórcio; A Batalha do Divórcio; O Espírito Santo. Gigante na coragem, na tenacidade, no intelecto e no amor por sua terra, tudo fez para dar-lhe o destaque que ela bem merecia. Entre os inúmeros benefícios prestados, destacam-se: A passagem da Rede Ferroviária Federal por sua terra natal; as construções dos prédios dos Correios e Telégrafos, da Escola Normal Rural, da Maternidade Unidade Mista Emília Câmara, e a criação da Diocese de Afogados da Ingazeira. É grande a gratidão ao seu ilustre filho a quem Afogados de Ingazeira e sua gente rendem as mais reconhecidas homenagens, onde hoje é lembrado através do bronze na praça pública que, reconstruída, recebeu seu nome. [Enciclopédia Nordeste, com enxertos nossos]

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 7-Dezembro-2020 / 21:10:39

Adalva de Siqueira e Silva Amaral
17.12.1955 - 28.11.2020

Fomos informados por duas conterrâneas, inclusive por Balbina Alves, sua vizinha, que a professora Adalva de Siqueira (63 anos) faleceu na manhã deste sábado (28.11), aqui no Recife.

__________________________________

A missa de 7º dia será realizada na "Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios" às 8h30 da manhã do sábado 5 de dezembro.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 28-Novembro-2020 / 9:00:08

Berta Celia Lemos Liberal
02.02.1947 - 15.11.1955

Há 65 anos uma tragédia se abatia sobre a família do casal João Ioiô/Cândida.

Filha do casal João Ferreira Liberal (João Ioiô) e Cândida Xavier de Lemos, nascia Berta Celia Lemos Liberal, no dia 2 de fevereiro de 1947, na pequena Afogados da Ingazeira. Ela, como toda a família, era católica. O seu grande sonho - fazer a Primeira Comunhão -, foi realizado pelo Pe. Antonio de Pádua Santos.
Os seus padrinhos de batismo foram o casal Maria das Dores e Helvécio César de Macedo Lima.
Seus estudos foram iniciados, como o da maioria dos afogadenses da época, nas Escolas Municipais Reunidas (Escolas Reunidas Dona Anna Melo), e depois no Grupo Escolar Pe. Carlos Cottart.
Berta Celia era tão ligada à mãe que, se esta se ausentasse da residência, sem lhe avisar, ela 'batia' toda a rua, de casa em casa, à sua procura. Já o seu pai João 'Ioiô' via na filha a imagem da mãe dele que não chegou a conhecer, pois ela havia falecido quando do seu nascimento. Apenas sabia que ela era loira e de olhos azuis, como a sua Berta Celia.

No nefasto novembro de 1955, Berta Celia, com tão-somente oito anos de idade, foi protagonista de uma fatalidade, sendo vitimada por acidente com um candeeiro.
Seu pai, João Ioiô, era casado em segundas núpcias com a mãe de Berta Celia. Tinha filhos dos dois casamentos. No 1º de novembro de 1955, a esposa do seu irmão, Pedro, pediu aos pais de Berta para que ela lhe fizesse companhia à noite, tendo em vista que ele havia viajado e ela ficaria sozinha.
Naquele fatídico dia, já sem energia elétrica, que só ficava ligada até às 22h, a cunhada acendeu um candeeiro perto da cadeira de balanço onde se encontrava a garotinha Berta. Ela estava vestida com uma roupa 'armada' com goma, e adormeceu. Sem explicação plausível, o candeeiro caiu em cima dela e, já em chamas, ela correu até sua cunhada que se encontrava na cozinha, lavando a louça e organizando o ambiente. Mas o socorro não foi suficiente para livrá-la das sérias queimaduras de 3º grau.

Mesmo estando com o corpo todo queimado, Berta suportava as terríveis dores que a afligiam, sem reclamar ou chorar. Deitada na cama, na rede ou no chão, as irmãs e familiares formaram um círculo ao seu redor como que para lhes dar forças para superar o terrível momento. Ela ficava apertando o braço das irmãs e dando pequenos beliscões - achavam que eram por conta das dores sentidas.

O que agravou seu estado de saúde foram as queimaduras sofridas no umbigo, causando o tétano. Resistiu a esse sofrimento durante treze dias, acompanhada por atendimento médico, quando, no dia do seu falecimento, teve a visão de uma Mulher de Azul que lhe sorria. Por conta da dor física, sem reclamar ou chorar, e dessa visão, algumas pessoas diziam que ela era uma santa e começaram a pedir graças, e à medida que eram atendidas, a notícia começou a se espalhar.

Seus pais, familiares e toda Afogados da Ingazeira ficaram abalados com o trágico acidente. Berta Celia foi sepultada no dia 15 de novembro de 1955, no cemitério São Judas Tadeu, em Afogados da Ingazeira.
Desde então o seu túmulo é muito visitado, principalmente nos dias de Finados, onde as pessoas depositam ex-votos (fotografias, pequenas estátuas ou órgãos moldados em madeira ou cera em túmulos, igrejas ou capelas, como agradecimento por graças alcançadas).

[Na bucólica Afogados da Ingazeira, na década de 50 e início dos anos 60, a iluminação era fornecida por um pequeno motor ligado apenas das 18h às 22h. Em virtude disso, as famílias usavam velas, lampiões e candeeiros para iluminar as residências além desse horário.]

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 28-Novembro-2020 / 7:19:38

Retornando...

Olá Fernando, demorei mais do que era o meu desejo, mas estou de volta depois de ver muitas coisas que publicaste no “YouTube”. Foi realmente como uma festa com diversos motivos bastante agradáveis que trouxeram muitas lembranças dos tempos idos da nossa terrinha sertaneja.
Tive oportunidade de ver coisas que não havia visto antes, bem como pessoas das novas gerações É bom saber como as coisas continuam com essa juventude que está descobrindo a vida e os seus enfeites. Tenho tido bons momentos vendo as fotos dos carnavais, principalmente quando mostram a casa onde nasci e vivi até os meus 18 anos. Foi uma visita memorável, especialmente quando estás no meio daquela multidão de conterrâneos. Fiquei com inveja...

Por aqui as coisas estão "desagradáveis", pois estamos na expectativa do que será o amanhã. Coisas que tínhamos como normais agora são duvidosas tais como os resultados eleitorais. Tenho, no entanto, mantido minha fé no Senhor Deus que tudo será de acordo com a Sua vontade, pois nada acontece neste mundo sem o Seu consentimento.
Confio que a espera será compensada, e teremos as bênçãos celestiais para nos ajudar,
Estive durante todo este tempo vendo como as coisas se desenvolvem, nos proporcionando resultados que surpreendem de maneira positiva.
Louvado seja o Senhor nosso Deus por sua misericórdia, e as bênçãos que derramam sobre nós, mesmo quando não merecemos.
Que o Senhor vos abençoe e guarde. Até a próxima!

Zezé Moura <jojephd@yahoo.com>
Rosemead - Califórnia, CA EUA - 23-Novembro-2020 / 11:18:55

Antonio Ângelo da Silva Júnior
08.03.1984 - 19.11.2007

Júnior, filho de Antônio Ângelo da Silva e Lígia Barreto de Carvalho nasceu em 8 de Março de 1984 no hospital Santa Joana, Recife, PE. Primogênito do casal, foi uma criança muito desejada e amada.

(...) Os irmãos Junior e Alysson adoravam fazer trilha, no entanto a mãe sempre foi contra a prática desse esporte pelos filhos, essa aventura perigosa. No entanto o pai os apoiava, já que ele gostava desse esporte, só que ao invés de motos, a sua preferência era por trilhas de Jipe.
Alguns meses antes - em julho de 2007 -, o mais novo, Alysson, sofreu um acidente a caminho do município de Ingazeira. Ele teve um leve traumatismo craniano. Chegou a desmaiar no momento do acidente, mas quem o salvou foi Junior fazendo respiração boca a boca e em seguida trazendo-o o mais rápido que pôde para ser socorrido.

Desde aquele dia Lígia disse para os dois que nunca mais eles iriam andar de moto: "Eu sei que aquilo foi um aviso para mim. Só que ninguém me levou a sério". Eles passaram um bom tempo sem participar de trilhas. Quando se aproximava o feriado de 15 de novembro, Junior havia chegado um dia antes, à noite, em Afogados, com seis colegas do Recife. Fez aquela festa com os pais. Ele gostava de dar um abraço bem apertado que às vezes Lígia dizia que ele iria lhe quebrar.
Novamente ele fez um pedido à mãe: “Mainha, me deixe fazer trilha amanhã, pois como está perto do dia da operação eu queria fazer uma despedida da moto, já que vou passar seis meses sem poder levar sol”. E mais uma vez recebeu a autorização. No dia 15 de novembro de 2007, partiu logo cedo, todo equipado. Beijou a sua mãe e lhe disse: “Não se preocupe, mãe, pois venho e almoço com vocês”. Ela ainda brincou e disse: “Como é que se traz convidados, deixa-os em casa e vai sair sem eles?” Ele respondeu: “Eles vão tomar banho de piscina e curtir as namoradas. Deixe-me fazer o que mais gosto, depois de vocês é claro.”
Dizem os colegas que por volta do meio-dia, Junior foi pegar alguma peça da moto de um colega que caiu e não recolocou o capacete. Quando encontrou o colega que voltava à procura da peça, ele disse: “Eu a encontrei. Vamos parar ali na frente que eu lhe devolvo; só que continuou sem o capacete”. Em uma curva entre os municípios de Tavares e Juru, na Paraíba, ele sobrou e bateu com a cabeça em um tronco de árvore que estava cortada, porém não estava rente com o chão. Ali mesmo, desmaiou.
Chegou uma ambulância de Tavares e o socorreu. Levaram-no para Princesa Isabel, porém não tinha oxigênio suficiente. Pediram que a ambulância o levasse até o município de Flores/PE. Chegando lá, quem estava de plantão era uma médica da família, Dra. Mauriciana. Ela ligou dizendo que o quadro era muito sério e que deveria ser providenciado com urgência o transporte de Junior para o Recife.
Conta Lígia: “Entramos em desespero e corremos para a Casa de Saúde Dr. José Evóide de Moura e lá tivemos todo o apoio do Dr. Junior Moura, Dra. Lúcia Moura e do Dr. Saulo Silveira. Saulo e Lúcia acompanharam Júnior na ambulância até o Hospital Santa Joana, no Recife, e permaneceram juntos até o dia seguinte."
"Chegando ao Recife, às 21 horas, o Dr. Nivaldo e Dra. Débora já o esperavam para iniciar os procedimentos cirúrgicos. Eles examinaram Junior e disseram: ‘Esta operação pode durar horas ou alguns minutos; se vocês concordam, daremos início imediatamente; só não podemos garantir nada’, no que nós respondemos: ‘Façam tudo o que for possível e impossível’”.
“Só que a cirurgia durou pouco tempo e os médicos tentaram nos fazer entender que não tinha mais jeito, mas eu tinha sempre uma esperança, pois muitas pessoas entram em coma e depois de alguns anos voltam a ficar boas. Passaram-se cinco dias e nós ficamos recebendo muitas visitas, apoio de muitos amigos e conhecidos que não foram poucas. Recebemos muitas orações, fizemos muitas correntes, nos deram intenso apoio com muita fé.”

“No dia 19 de novembro às 23h40, eu atendi ao telefonema no quarto, quando o médico dizia: ‘Olhe, acabou’. E eu insistia perguntando, acabou o quê? E o médico me respondeu: ‘Seu filho não vive mais’. Foi o pior momento de toda a minha vida. Pareceu que tinham tirado alguma parte de meu corpo. Foi uma dor terrível. Ninguém pode imaginar o quanto.”
"Que ironia do destino, no mesmo hospital Santa Joana que ele veio ao mundo, naquele mesmo hospital ele se despediu desta vida. Nessa hora, chegavam ao nosso quarto o dr. Alberto Nogueira e Lúcia e dr. Cláudio Nogueira que era padrinho de crisma dele e se gostavam muito. Providenciaram tudo para o sepultamento, pois eu e o pai não tínhamos mais condições para nada. Estávamos dormentes.
Não conseguíamos acreditar que tudo aquilo estava acontecendo em nossa família. No dia 20 de novembro, chegamos a Afogados da Ingazeira para o sepultamento que ocorreu às 17 horas no Cemitério São Judas Tadeu. Dizem que tinha uma multidão acompanhando. Nós não conseguíamos ver ninguém. Uma coisa nos confortou muito onde todos diziam que Junior era um menino bom. Que ele seria um grande homem. Veio gente de várias regiões de Pernambuco, Paraíba e até de Salvador/BA.”

“Como nosso filho era querido. Como é bom saber que de alguma forma o educamos e o criamos como uma pessoa tão bondosa e querida por todos, seja aquele mais humilde ou o mais afortunado. Hoje convivemos com uma saudade eterna e procuramos não ficar tristes, pois onde ele estiver eu sei que o mesmo só queria para mim e o pai, muita alegria. E nós tentamos, porém é difícil um dia você estar bem e em outro você desmorona. E assim os dias vão passando.”

“Por fim, concluo com esta mensagem entregue a mim no hospital nos últimos dias do coma de Junior por uma moça cujo nome era “Isabel Ribeiro”. Pena que depois desse encontro eu nunca mais a vi. Gostaria de reencontrá-la, mesmo através de um telefonema. Ela me impressionou tanto que aqui quero deixar registrado na biografia. “

“De que são feitas as pessoas?

Muita gente pensa que são feitas de pele, órgãos e ossos. Outros pensam que são o que são pelos bens que têm. Alguns pensam que são feitos de aço, e outros parecem feitos de um material muito frágil.
Quando a gente pensa na falta que uma presença faz, até quase acreditamos que somos feitos do que é palpável, seja corpo, seja dinheiro, seja tudo o que se pode tocar. Mas, se a gente pensa melhor, chega à conclusão que tudo o que tocamos tem fim.
Então, do que somos feitos? Somos feitos de nossas atitudes, do modo como agimos e sentimos na vida. É isso que deixamos registrados na cabeça e no coração das pessoas.
Como eu descobri isso? Hoje, estive na sala de espera de uma UTI e presenciei uma cena muito bonita. Que talvez aconteça em algumas salas de UTI, mas foi ali que eu descobri do que somos feitos. Na sala, muitas pessoas esperam para visitar um jovem que havia sofrido um acidente e seu quadro era muito grave. Várias pessoas, conhecidas suas, vieram até o hospital. Muitos vieram de longe para vê-lo. Os amigos, também muitos jovens deixaram de lado o final de semana para vê-lo. Os parentes, os conhecidos, todos estavam ali para visitá-lo. Até os pais tiveram que ceder seu pouco tempo de visita ao filho para os outros.
O que move tanta gente? O que desperta o sentimento de solidariedade na dor e até na prece, até em quem não o conhece? De onde surge a força dos pais para ceder seu pouco tempo com o filho para os outros? Foi o corpo do jovem? Foi o dinheiro do jovem? Foram as palavras dele?
Não. Foi o que ele representou na vida de cada uma daquelas pessoas que estavam ali para levar um carinho no pé, um aviso de espera, uma oração, um olhar, uma mensagem de força. Foram as atitudes que esse jovem diante da vida e daquelas pessoas que levaram todos até ele. E as atitudes, ao contrário de tudo que é palpável, não se acabam nunca.
É delas que são feitas as pessoas de verdade. E quem reconhece isso em si e nos outros não acredita no fim." (Isabel Ribeiro)

[Neste 19 de Novembro, às 23h40, completou-se 13 anos da sua partida.]

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 22-Novembro-2020 / 15:59:28
2012, 19 a 21 de fevereiro - Carnaval

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Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 21-Novembro-2020 / 14:45:17

Glauco Vinícius Pires Pereira

Há 35 anos - 10 de novembro de 1985 - aos 14 anos e 10 meses, perdíamos Glauquinho, filho de Paula e Célio, vítima de atropelamento por um taxista, em Olinda, quando se dirigia à praia para curtir o domingo entre amigos.
Hoje estive conversando com tia Paula, sua mãe, e ela me disse: "É uma saudade que dilacera o coração!"
A saudade é imensa!
Que o Pai eterno o tenha em Sua glória.

Fernando Pires <fernandopires1@hotmail.com>
Recife, PE Brasil - 10-Novembro-2020 / 9:14:29
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